blog do Zé

31/7 de 2006

Anote aí: “Ego surfing”, surfando pelo ego

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 7:11 pm

Caso encontre esse termo em algum lugar: Ego-surfing é o nome dado à navegação da Web em busca de citações a nós mesmos. De acordo com alguns tecnopsicólogos o surf do ego pode ter 3 variantes, ele acontece quando estamos :

1) Procurando logs do nosso servidor em busca citações em outros cites

2) Procurando nosso próprio nome no yahoo/google para ver quem está falando de nós

3) Procurando nosso próprio nome em sistemas de buscas em blogs(Blogdex por exemplo) para ver quais blogs nos citaram

Segundo o cibertecnopsicanalista Cygwin Gnu Fróid o surf do ego é perfeitamente normal e saudável, desde que não se torne um inconveniente no ambiente de trabalho.


 

A neutralidade na Internet está ameaçada

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 6:34 pm

Você talvez já tenha se perguntado: será que todo mundo é realmente igual na Internet? Quando nós da america do sul acessamos uma página norte-americana apenas um milisegundo antes de um visitante que está dentro dos EUA, somos atendidos um milisegundo antes do mesmo? Quando entramos no email, nosso acesso é tratado com a mesma prioridade do acesso de um visitante da Europa ou Japão?

A resposta é que até hoje, até onde sabemos, sim – todo o tráfego da rede é igual perante os roteadores, servidores, fibra ótica e equipamentos de infraestrutura da internet. Se você acha isso um pouco anti-capitalista e incoerente na situação atual do mundo, pois saiba que os grandes empresários da Rede estão começando a se atinar para isso também.

O fato de todo o tráfego na Internet, seja ele Iraquiano ou Japonês, ser tratado da mesma forma é conhecido por “neutralidade na Rede”, termo introduzido pelo professor Tim Wu do depto. de Direito da Universidade de Columbia.

Essa neutralidade, até hoje encarada como uma garantía na Internet, está ameaçada. Os provedores de acesso ameaçam cobrar uma taxa de seus clientes para que tenham prioridade no trafego da internet. Isso significaria que o navegante com maior poder de aquisição terá acesso a mais informação, verá seu email antes de você mesmo que você tenha chegado primeiro, baixará arquivos mais rapidamente mesmo que você já estivesse baixando primeiro, e terá acesso mais veloz e mais seguro à informação. É o fim da internet como a conhecemos – igualitária, aberta e democrática.
A famosa primeira emenda da Constituição dos EUA diz que todos tem direito a livre expressão de pensamento e opinião. O Google utilizou-se da primeira emenda para garantir seu direito de remover quaisquer páginas de seu índice argumentando que o resultado das buscas é a opinião do Google sobre o que eles acham melhor sobre cada assunto, e essa opinião não pode ser controlada. Portanto, seguindo a argumentação, eles teríam sim o direito de remover qualquer página de seu sistema de buscas. A causa do Google saiu-se vencedora com esse argumento e, desde então, diversos provedores seguem a jurisprudência ao censurar o tráfego que atravessa suas instalações. Quando um provedor decide qual tráfego tem preferência sobre outro, ou qual deve ser banido por inteiro, eles argumentam que esse é um direito de “opinião” garantido na Constituição.

É a subversão de um sistema feito para garantir a livre expressão que está gerando censura e a possibilidade de fechamento do meio de comunicação mais igualitário e democrático da história. A Internet como conhecemos está sob ameaça.

Em Abril deste ano uma proposta do Democrata Ed Markey foi derrotada no Congresso dos EUA – essa emenda devería garantir a neutralidade do tráfego na Rede e impedir que provedores de acesso discriminem o tráfego com base em qualquer quesito. Já em Maio a neutralidade na Rede obteve sua primeira grande vitória quando a “Lei de Liberdade e Não-Discriminação de 2006″, elaborada em conjunto por um Republicano e um Democrata, foi aprovada tornando em crime qualquer discriminação de tráfego na internet por parte dos provedores. Com esta lei torna-se crime bloquear acesso a serviços quaisquer, dificultar acesso a sites, ou cobrar pedágio para oferecer uma conexão prioritária. Veja bem – é diferente cobrar mais por uma conexão mais veloz e bloquear um serviço ou dar prioridade a outro navegante por ter pagado um determinado pedágio. A diferença na velocidade de conexão não impede que o navegante mais lento tenha acesso à informação. Com o fim da neutralidade o navegante privilegiado terá acesso a mais informação, não à mesma informação apenas mais rápido.

Contudo, a Constituição americana ainda garante livre expressão e a lei de Não-Discriminação ainda pode ter sua constitucionalidade questionada – os provedores tem, ou não, direito de cobrar a mais para oferecer “mais” acesso a determinados serviços na Internet?

Dentro do pensamento capitalista, onde o detentor de capital tem acesso a melhor alimentação, melhor educação e, portanto, possui acesso a maior qualidade de vida, a neutralidade da Internet é uma aberração. Talvez fosse bom demais para ser verdade desde o início ter uma internet igualitária e democrática – durou até muito tempo. Ou não – ainda há chance dessa igualdade persistir. Fique de olho, pois o debate sobre a neutralidade na rede está apenas começando.


 

Google e o “verão da programação”

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 4:31 pm

google.gifEste ano acontece a 2a edição do “Google Summer of Code“. Como todos sabem a Google Inc. é, possivelmente, a maior empresa do mundo a utilizar sistemas abertos em toda sua plataforma internet. Segundo a opinião de um dos marketeiros mais conhecidos do vale do silício, Doc Searls, Google é a maior usuária de software livre do mundo.

Clusters de servidores Linux, linguagem Python, compiladores GNU e várias outras tecnologias abertas formam o alicerce do sistema Google que é, indiscutivelmente, o maior banco de dados de hipertexto e dados pessoais do mundo(Orkut, Gmail, Blogger, etc).

O Google reconhece a importância do software livre e decidiu, numa inteligente iniciativa, contribuir à sua maneira para o desenvolvimento do mesmo.

Uma das principais críticas da Microsoft, e outras empresas do software fechado, é que o programador deve ser financeiramente recompensado por seu esforço, portanto, segundo eles, o software aberto não deve ser grátis. Esse é um argumento que Bill Gates utiliza há mais de 30 anos. (A discussão de grátis x livre é longa e cheia de detalhes, vamos deixá-la para depois – o importante é que software livre não é necessariamente software grátis.) O Google concorda que todo bom programador deve ser remunerado e resolveu dar sua contribuição: todo ano, nas férias escolares dos EUA, o Google organiza um evento interessante chamado Google Summer of Code onde programadores são contratados por 3 meses para criar, melhorar ou consertar sistemas abertos de todo tipo.

O programador pode ser convidado por um “mentor”(líder de um projeto de software livre reconhecido), ou um projeto original pode ser enviado para inscrição. Caso aceito, o programador se compromete a programar durante suas férias de verão sendo remunerado pelo Google para avançar um sistema livre qualquer.

Entre as organizações participantes encontram-se a Fundação Apache(sistema dentro do qual funciona este blog e milhões de outros sites), GNOME, Fundação Mozilla(criadora do Firefox), a Universidade do Texas(UT) em Austin e vários outros gigantes do software livre.

O evento é estratégico para o Google e ao mesmo tempo uma grande jogada de marketing. Durante o Summer of Code o Google tem a oportunidade de estar em contato com alguns dos futuros grandes programadores, recrutar talentos e divulgar sua marca no meio universitário. O evento fortalece também o software livre, o que contribui para sua posição estratégica na futura (e, à não ser que sejam comprados antes pela Microsoft, inevitável) guerra entre Google e Microsoft.

Marketing à parte, o evento é uma iniciativa exemplar e o mundo do software livre agradece. Mais uma vez o Google mostra que é uma grande e inovadora empresa, e que veio para ficar.


 

26/7 de 2006

Investigador é preso na sexta convenção “HOPE”

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 8:59 pm

hope2.jpgHope, em inglês significa “esperança”. A cada 2 ou 3 anos a palavra passa a ter um significado diferente quando hackers de todo o mundo se reunem para “trocar figurinhas”, mostrar invenções ou simplesmente socializar nas convenções HOPE, organizadas pela revista hacker 2600. O evento é aberto a todos, não é algo secreto ou underground. No fim de semana passado(21 a 23 de Julho) ocorreu a sexta edição da HOPE.

Os visitantes mais comúns nessas reuniões, depois dos hackers, são agentes do governo. Em geral eles não se preocupam em se disfarçar, trazendo insígnias, bonés ou até mesmo vestidos como os personagens principais de “homens de preto” eles comparecem e podem até mesmo participar. O espírito hacker é de abertura total das informações, portanto os agentes são bemvindos para aprimorar seus conhecimentos.

hope.jpg

Este ano, como já aconteceu em outras convenções semelhantes, os agentes aproveitaram o tempo livre e a falta de donuts para prender um investigador particular que estava escalado para dar uma palestra sobre privacidade e sobre a facilidade se de obter dados pessoais(supostamente sigilosos) no mundo atual. Steven Rombom aparentemente obteve informações detalhadas sobre um informante “secreto” do FBI se passando por um agente da instituição.

O investigador se defendeu dizendo que obteve todas as informações de fontes públicas.


 

Nova home-page da Microsoft esnoba Firefox, outros

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 8:30 pm

A próxima geração da home-page da Microsoft pode não aceitar usuários do navegador Firefox, Opera e outros concorrentes do Internet Explorer.

É o que indica o atual “trailer” da nova página que permite que ela seja vista apenas com o IE. Todos os outros navegadores são redirecionados para a atual home page. Várias funções estão atualmente disponíveis apenas para o Internet Explorer, entre elas a função Windows Update.

Segundo esta reportagem, há alguns dias a Microsoft sequer redirecionava os usuários. No lugar da atual home page era apresentada a mensagem “sentimos muito mas esta página atualmente não está disponível”.

É uma estratégia questionável pois a meta das empresas é justamente atrair o maior número de clientes, mesmo que estejam atualmente utilizando uma tecnología da concorrência. Sería como se as concecionárias Fiat se recusassem a receber compradores que chegassem à loja dirigindo um Ford!


 

Los Angeles 40 graus

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 7:21 pm

De acordo com a CNET o calor excessivo em Los Angeles, California, derrubou por 12 horas o popular site de relacionamentos MySpace.com que recentemente se tornou o site mais visitado dos Estados Unidos, à frente do email do Yahoo!.

O consumo de eletricidade na Califórnia atingiu o recorde de 50270 megawatts de acordo com esta reportagem.

A notícia chega em péssima hora pois a concorrência vem se aproximando com a MTV lançando um serviço semelhante que permite não só os recursos de relacionamento e trocas de mensagens como também a participação dos internautas em programas da emissora.


 

20/7 de 2006

“Canções da I.B.M”

Categoria: Velharia — jfonseca @ 5:34 pm

ibm songbookÉ esse o título do songbook oficial da IBM, cuja edição de 1931 você vê na miniatura ao lado. O songbook da Big Blue foi publicado pela primeira vez em 1927.
Após a grande depressão e a crise econômica do início dos anos 30, Thomas Watson decidiu que a música aumentaria a lealdade dos funcionários e aumentaria a auto-estima na empresa. Segundo esta reportagem, os funcionários aderiram à iniciativa por que naquela época era praticamente impossível encontrar a estabilidade empregatícia que era possível na IBM.

O songbook começa com o Hino dos EUA e contém diversas canções compostas por funcionários. Todas enaltecem a Big Blue e homenageiam funcionários notáveis, como a canção “Para Otto E. Braitmayer, vice-presidente a IBM” que contém linhas como “te adoramos Braitmayer, você é nosso pioneiro, você é um lider sábio e capaz”.

Não que pudessemos parar o tempo, mas, cá pra nós, foi bom deixar os anos 1930 para trás!

ibm song trecho 1

A banda da IBM foi fundada por 5 músicos em 1915 e tocou suas últimas notas em 2001.


 

640K: Gates disse ou não disse?

Categoria: Velharia — jfonseca @ 4:22 pm

Bill Gates disse ou não, em 1981, que 640K de memória RAM eram suficientes para qualquer usuário?

Antes que algum fã do Bill Gates se manifeste, respondo: parece que não disse. Mas a lenda ainda vive….blogs e páginas de toda parte citam a famosa gafe atribuída a Gates como se fosse verdade.

microsoft 1978

Eis o que se sabe : Bill Gates é humano, e humanos costumam errar. Gates errou quando mediu o potencial da Web de causar mudanças drásticas no sistema operacional(o Windows vinha sem TCP/IP – alguém se lembra do Trumpet Winsock!!?), Gates errou ao medir o potencial do Netscape Navigator e se atrasou para a “guerra dos navegadores” mas hoje sabemos quem venceu: o Netscape, claro!!! Tudo bem, sem revisionismo histórico : admito que o Internet Explorer ganhou, mas o Firefox(neto do Netscape) para mim é o melhor navegador disponível hoje.

Nada disso diminui os méritos de Gates, ele acertou muito mais do que errou.

Mas essa frase em particular me parece muito “Gatesiana” : eu arriscaría acusar Gates de ter realmente dito que 640K eram suficientes para qualquer um. Especialmente se o imaginarmos tentando vender o MS-DOS para uma senhora de 70 anos de idade numa daquelas feiras de tecnologia em 1981!

Nota histórica: O IBM PC nasceu com várias limitações. Uma delas era a de ser capaz de endereçar, diretamente, apenas os primeiros 640 KBytes de memória RAM. O MS-DOS, sistema que trouxe Bill Gates para o front da “revolução do PC”, obviamente herdava essa limitação. Posteriormente, versões mais modernas do DOS traziam recursos capazes de alternar a CPU para modo protegido(lembra, ao rodar alguns jogos, que aparecia uma tela que dizia “DOS4GW Protected Mode”, por exemplo?), dentro do qual o 386 era capaz de endereçar até 4 gigabytes de memória.

dos4gw

A CPU 286 tinha uma peculiaridade : ela era capaz de alternar para modo protegido, mas era incapaz de retornar ao modo real sem uma reinicializaçã elétrica – o famoso “dedo-Off”. Esse liga/desliga/reinicia é um dos culpados pela baixa popularidade do 286. Por isso credita-se ao 386 o verdadeiro grande “boom” de vendas de PCs. Nenhuma CPU, em minha opinião, até hoje teve tanto impacto quanto o Intel 80386. De lá pra cá eles inseriram instruções multimidia, milhões de transistores a mais, materiais capazes de clocks maiores, mas lá dentro o jogo de instruções continua sendo muito parecido com o de um 386 de 20 anos atrás!

ibm pc

Enfim, a Wikipedia cita(creio que a Wikipedia cita este post na Wirede de 1997) uma entrevista em que Gates afirma jamais ter dito que 640K de RAM eram sufientes para todos. Mas a única fonte da Wikipedia é o próprio Bill Gates. Em 2006 a única certeza que temos é que seja lá quem for que disse isso estava redondamente enganado.


 

19/7 de 2006

A urna eletrônica exige que seja digitado nela o título de eleitor?

Categoria: Pleito eletronico — jfonseca @ 6:32 pm

No momento em que votamos, o mesário remove o canhoto do livro de eleitores daquela seção contendo nosso título de eleitor, de modo que a pessoa não possa votar 2 vezes. O eleitor, inclusive, leva para casa uma 2a via desse canhoto como prova de que votou.
Então por que o mesário ainda digita seu título de eleitor na urna eletrônica, exatamente antes de autorizar nosso voto?


 

JB: “Professor da UnB questiona segurança da urna eletrônica”

Categoria: Pleito eletronico — jfonseca @ 5:34 pm

O JB publicou, día 17 de Julho (página D4 da versão impressa, não encontrei a versão online para fornecer um link), algums críticas feitas pelo professor Pedro Rezende, de Ciências Políticas da UnB, às urnas eletrônicas. O JB publicou também as respostas do TSE a cada questionamento. Vou reproduzir aquí algumas das respostas do TSE e vou somar minhas críticas às do professor.
Pergunta: Por que as urnas não imprimem os votos?

Resposta do TSE: “Fazemos tudo de acordo com a legislação. A lei de 2003 que previa a impressão foi invalidada porque o procedimento atrasava a totalização. Além disso, a impressão não garante a correspondência com os votos registrados pela máquina.”

Meu comentário: É óbvio que fazem tudo de acordo com a legislação, de outra forma estaríam agindo na ilegalidade. O que estou criticando é justamente a legislação. O fato da impressão dos votos atrasar a totalização não é justificativa, pois não estamos participando em uma corrida de quem apura os votos mais rápido, atrasos não são um problema tão sério. Estamos sim tentando “ler” a intenção do povo de se manifestar quanto a quem deve governar nosso País, o importante é que todos os votos sejam contados corretamente. Se a impressão não garantir a correspondência com os votos registrados pela máquina então sua impressora, ou sua máquina, estão com defeito!

Pergunta: Mesmo que os partidos possam examinar o código-fonte dos programas que constituiriam o software do sistema eleitoral, se não puderem saber, por meios próprios, se tais programas são exatamente os mesmos usados nos computadores durante a eleição, todo o esforço fiscalizatório equivale a um mero ato lúdico.

Resposta do TSE: A transparência do processo é garantida por meio da fiscalização dos partidos. Geramos um resumo digital e os fiscais recebem assinatura digital para verificar se o tamanho do arquivo apresentado durante a lacração das urnas é o mesmo usado no sufrágio e na totalização. Todos os arquivos são criptografados.

Meu comentário: Sobre a fiscalização dos partidos, essa ainda é a maior garantía que temos : todo o processo do TSE só tem credibilidade justamente porque interesses de todos os partidos estão sendo representados por fiscais nos vários momentos do pleito. Mas isso não responde a pergunta do professor. Ken Thompson do Bell Labs, um dos inventores do UNIX, afirmou em 1985 que manteve uma função oculta no seu sistema que tornava impossível removê-la, pois ela se inseria no sistema toda vez que um programa era compilado e o próprio compilador estava contaminado e contaminava todos os novos programas, portanto era o golpe perfeito e passou desapercebido durante quase 20 anos bem debaixo dos olhos dos maiores especialistas de computação do mundo! Já o TSE quer que confiemos cegamente no argumento de que os fiscais dos partidos seríam capazes de detectar uma fraude bem feita…é mole? Por que o código-fonte e a tecnología não são 100% abertos? Eles mesmos afirmam que a impressão da máquina não bateria com os votos totalizados por ela, e querem que confiemos no relatório que a máquina imprime contendo dados do sistema operacional na hora da “lacração”! Já o último argumento : “todos os arquivos são criptografados”. Bom, até onde eu entenda você pode criptografar qualquer coisa, até mesmo uma contagem errada de votos…ou não? A criptografia garante que os dados não serão facilmente modificados, ela é uma ferramenta poderosa. Mas a criptografia não garante nada a respeito da contagem dos votos e nem nos protege no caso de ser necessária uma recontagem dos votos.

Pergunta: Enquanto os países maduros em democracía buscam a informatização eleitoral de forma a permitir ao eleitor verificar, por sí mesmo, a correta tabulação do seu voto, o Brasil vai na contramão com o agente responsável tentando suprimir qualquer possibilidade de conferência ou recontagem dos resultados.

Resposta do TSE: Nunca ouve impugnação séria nos dez anos de urnas eletrônicas. A garantía de que o sistema eletrônico é seguro é a mesma que temos de que nosso dinheiro está no banco, mas ninguém questiona o banco.

Meu comentário: Na minha opinião essa crítica do professor é muito pertinente e é a mais forte delas: por que estamos na contramãodo mundo todo onde as eleições são fiscalizadas pelo povo e aquí é tudo feito por um órgão do Estado? Quanto a ninguém criticar os bancos(isso foi, inclusive, mencionado neste post), de onde eles tiraram isso? Todo mundo questiona os bancos o tempo todo, isso não é argumento. E não existe essa garantía de que nosso dinheiro está no banco por parte de sistema nenhum, a garantía que meu dinheiro está no banco vem da Constituição Federal e da polícia no caso dele sumir. Os sistemas de bancos falham o tempo todo, quem já trabalhou em CPD sabe disso – todos os computadores, por melhores e maiores que sejam, falham uma vez e outra – é um fato do dia-a-dia e devemos aceitar isso e não tentar argumentar que “minha urna é um computador infalível”. Isso não devería ser exemplo citado pelo TSE. O fato de nunca ter havido impugnação vem, na minha opinião, de outros motivos. Primeiro que pouca gente entende o suficiente de tecnología para poder criticar. Segundo que o sistema em sí é todo fechado, não há como saber se ele já falhou e ninguém soube, parece que devemos confiar cegamente no hardware e software da urna e ela é 100% correta. Por último, nenhuma nave Shuttle da NASA tinha caído até a Challenger falhar. O fato de não termos tido “impugnações sérias” no passado não diz nada quanto ao funcionamento das urnas no futuro – isso vale para todo tipo de sistema, não é um problema específico das urnas do TSE. Portanto o voto tem que ser impresso e o sistema tem que ser totalmente aberto.

Pergunta: Se o voto é secreto, por que o eleitor precisa digitar o número do título?

Resposta do TSE: O número garante que a pessoa só votará uma vez. Os dados ficam armazenados em uma matriz aleatória de acordo com a hora e sessão, mas não é possível identificar o eleitor.

Meu comentário: o anonimato é, na minha opinião, o menor dos problemas. Mesmo assim a resposta do TSE não explica nada. Primeiro que poderíam entrar na sala 20 pessoas, por exemplo, e todas votariam 1 vez apenas e os títulos poderiam ser digitados fora de ordem. Isso não acontece, o mesário digita seu título e aperta um botão, em seguida você vai e vota. Segundo que, como pode existir uma matriz aleatória “de acordo com a hora e sessão”? Algo registrado de acordo com a hora permite uma organização cronológica dos dados. É só ver a ordem dos titulos digitados e o horário e o voto de todo mundo é sabido. Ou não? Liberar o código-fonte do sistema nos deixaria a todos tranquilos, pois tenho certeza que esse problema teve uma boa solução por parte dos programadores de sistemas do TSE.

A fácil identificação dos autores dos votos é um problema do sistema digital, mas é o menor dos problemas. O mero fato de poder existir apenas um voto por pessoa torna impossível haver um voto totalmente secreto. Basta perceber que há uma relação bi-unívoca entre cada elemento dos conjutos de eleitores e o conjunto de votos, portanto todo voto é identificado no momento que se insere o título de eleitor exatamente antes do voto ser manifestado na urna eletrônica.

Mesmo assim a urna do TSE continua melhor que a cédula de papel. Com a cédula de papel são possíveis 20000 outros tipos de fraudes e erros. Mas temos ainda muito o que consertar nas urnas eletrônicas, e é um grande erro sermos arrogantes e pensarmos que nossas urnas são assim tããão melhores que as dos EUA. Aposto que já ouveram enormes panes com nossas urnas, mas nosso processo é menos transparente e essas panes podem não ter sido noticiadas por motivos políticos.

E mesmo que nunca tenham havido problemas, e mesmo que nossas urnas sejam as melhores do mundo, não há motivação democrática em manter o software fechado e oculto da população. Também não é correto não haver impressão dos votos e a conferência dessa impressão por parte do eleitor – da forma como é feita no Brasil, no caso de uma pane geral, é impossível haver recontagem de votos.


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