blog do Zé

31/8 de 2006

Cidade de Berkeley quer transformar lei de Aristóteles em Lei

Categoria: Cultura (Quase sempre)Inútil — jfonseca @ 11:55 pm

Esta reportagem do San Francisco Chronicle diz que a cidade de Berkeley, Califórnia, quer transformar em Lei a lei científica de Aristóteles que diz que A é igual a A. Isso mesmo, a Lei existiría para formalizar o fato de que um liquidificador é um liquidificador. E um carro é um carro.

O “artista conceitual” Jonathon Keats(ele uma vez meditou por 24 horas, e vendeu tudo o que pensou como obra de arte), propôs transformar a velha regra em Lei para ilustrar conceitualmente o que é uma lei, e como ela deve ser obedecida. Uma Lei que diz que você é você é, teoricamente, inquebrável. Uma lei inquebrável é interessante..porém inútil.

Quando perguntada sobre sua opinião, a prefeita da Cidade, Shirley Dean respondeu “eu não faco idéia do que isso possa significar”.


 

Cai sigilo no Orkut

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 10:27 pm

Surge a primeira grande fuga de dados pessoais de dentro do Google : a justica acaba de determinar a quebra do sigilo do Orkut no Brasil. O falso sentido de protecão que as pessoas tem ao usar Gmail e Orkut com nomes falsos acaba de sofrer a primeira derrota : o Google é um instrumento de invasão da vida pessoal e o usuário precisa ter ciência disso.

Assim como vazaram dados pessoais da AOL no comeco do mês comprometendo diversas pessoas que buscavam por assuntos bizarros quando se sentiam no anonimato, agora a Justica determina o fim do anonimato dos usuários do Orkut. Nada mais lógico, pois o anonimato é vedado pela Constituicão Federal e a protecão da fonte é garantida apenas no exercício da profissão, o que não é o caso do Orkut.


 

Carta aberta aos “hobbyistas”

Categoria: Velharia — jfonseca @ 8:10 pm

Esse é o título da carta que Bill Gates redigiu aos entusiastas de computação em 1976 pedindo que “maneirassem” na pirataria. Foi com essa ideología que Bill Gates se tornou o homem mais rico do mundo. A filosofía de Richard Stallman, e do software livre como um todo, é bem conhecida. Publico, então, esta traducão que fiz da carta original de Bill Gates dirigida aos usuários amadores que estavam pirateando sistemas Micro-Soft, pedindo que contribuam para a melhoría do software pagando por suas cópias e estimulando a inovacão.

pejan19751.jpgPara compreender por que ele se dirige aos “entusiastas”(“hobbyistas”), devo explicar um pouco do contexto. Naquela época o “computador pessoal” era inexistente. Uma revista de eletrônica da época(1975), a Popular Electronics, vendía um kit para montagem de um certo computador baseado no Intel 8080A. Nesse computador, diversos amadores comecaram a criar software, especialmente no interpretador da linguagem BASIC que Bill Gates e Paul Allen criaram. Havíam reuniões onde os entusiastas trocavam “figurinhas”. Foi assim que nasceu a primeira geracão do computador pessoal.

Este aquí embaixo é uma versão montada do Altair 8800.

altair8800.jpg

Segundo uma famosa biografía de Gates(Hard Drive), Gates tería escrito o interpretador utilizando um grande computador da Universidade de Harvard em seu tempo livre. Naquela época pagava-se por tempo de uso do processador, por isso ele diz que investiu ” o equivalente a $40.000 em tempo de computacão”, o que não era exatamente verdade já que provavelmente o uso do mainframe de Harvard saiu grátis para o então aluno.

Quando enxergaram o potencial de vendas de computadores pré-montados, IBM, Micro-Soft e Intel não demoraram em criar o primeiro PC pré-montado e com sistema operacional pré-instalado. E o resto é história – é o comeco da chamada “revolucão do PC”. Hoje, 30 anos depois dessa carta de Bill Gates, o PC comúm presente em nossas casas é milhares de vezes mais rápido e mais poderoso que todos os computadores existentes na época, Bill Gates é o homem mais rico do mundo e a linguagem BASIC da Microsoft continua firme e forte na versão Visual Basic .NET. E ninguém sequer imagina montar um PC chip por chip, compram-se placas prontas, ou PC’s já totalmente montados e prontos para o uso.

Segue abaixo esse pequeno, porém relevante, trecho da história do PC.

Carta aberta aos “hobbyistas”

Por William Henry Gates III

3 de Fevereiro, 1976

Carta aberta aos hobbyistas

Para mim, a coisa mais crítica no mercado de hobby é a falta de bons cursos de software, livros e software em sí. Sem bons programas, e um usuário que entenda de programacão, um computador de hobby está desperdicado. Software de qualidade será escrito para o mercado de amadores?

Há cerca de um ano, Paul Allen e eu, apostando no crescimento do mercado de entusiastas, contratamos Monte Davidoff e desenvolvemos o Altair BASIC. Apesar do trabalho inicial ter demorado apenas 2 meses, nós 3 passamos a maior parte do ano passado documentando, melhorando e acrescentando funcões ao BASIC. Hoje temos BASIC de 4k, 8k, EXTENDED, ROM e DISK BASIC. O preco em horas de computacão que utilizamos para isso já passa dos U$ 40.000

A reacão de centenas de usuários que dizem estar utilizando nosso BASIC tem sido toda positiva. No entanto, duas coisas aparentes nos surpreendem: 1) a maioría desses usuários que nos escreveram não compraram nosso BASIC e 2) a quantía que recebemos proveniente das vendas do Altair BASIC nos renderam menos de U$ 2.00 por hora.

Por quê? Como a maioría dos hobbyistas devem saber, a maior parte de vocês rouba os programas que usam. Hardware deve ser comprado, mas software é algo para se compartilhar. Quem se importa com o pagamento daqueles que criaram o software?

Isso é justo? Uma coisa que vocês não fazem, ao roubar programas, é se vingar da MITS por algum problema que possam ter.(Nota do blog: o MITS era o fabricante dos Altair onde o BASIC de Bill Gates rodava. A montagem era caseira e muitos dos kits vinham com defeitos, causando problemas de hardware, os quais Gates comenta aí.). A MITS não ganha dinheiro vendendo software. Os royalties pagos a nós, o manual impresso, a fita e custos adicionais nos deixam trabalhando a preco de custo, sem lucro. Uma coisa que vocês conseguem com isso é impedir que bons programas sejam escritos. Quem tem o luxo de trabalhar profissionalmente sem pagamento? Qual entusiasta pode investir 3 anos-homem em programacão, encontrando todos os problemas, documentando o sistema e depois distribuir tudo isso grátis? O fato é que ninguém além de nós investiu tanto dinheiro no mercado de software para entusiatas. Nós escrevemos o BASIC para o 6800, e estamos criando o 8080 APL e 6800 APL, mas há pouco incentivo para tornar estes programas disponíveis para os hobbyistas. Mais diretamente, o que vocês conseguem com isso é apenas roubar.

E o pessoal que revende o Altair BASIC seu autorizacão, eles não ganham dinheiro com software de hobby? Sim, mas esses sobre os quais ficamos sabendo podem sair perdendo no fim. São eles que dão aos entusiastas má fama, e deveriam ser expulsos das reuniões de grupo nas quais aparecerem.

Eu gostaría de receber cartas de qualquer um que deseje nos pagar, ou que tenha sugestões ou comentários. Me escrevam no endereco 1180 Alvarado SE, #114, Albuquerque, Novo México, 87108. Nada me agradaría mais do que poder contratar dez programadores e inundar o mercado de hobby com bom software.

Bill Gates

Sócio gerente geral, Micro-Soft


 

MySQL e PHP juntos processam 3664 vendas por minuto e levam prêmio internacional da c’t

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 7:22 pm

Release da empresa MySQL AB, fabricante do popular sistema de bancos de dados relacionais, informa que, caso houvesse o dobro de servidores, o número de transacões de venda podería ter sido cerca de 6000 por minuto. O crescimento de quase 100% em performance, com acréscimo de 100% de hardware, é considerado ótimo. Sistemas corporativos que “escalam” nessa proporcão tem a vantagem de poder expandir apenas agregando novas máquinas, sem ser preciso alterar o software instalado.

Veja o release original aqui. (Artigo em inglês. Tenho evitado utilizar o tradutor automático do Google e Altavista devido à péssima qualidade do texto resultante.)


 

Parem de usar Perl 3 !

Categoria: Perl — jfonseca @ 7:15 pm

Curtis Poe publicou um excelente artigo sobre os vícios do Perl 3 que ainda se perpetuam em sistemas Perl 5 nos días atuais.

A versão 4 do Perl foi lancada em 1991 especialmente para que o livro Programming Perl(também conhecido como o “Livro do Camelo”), tratasse de uma versão específica do Perl.

Três anos depois foi lancada a versão 5 da linguagem, trazendo melhor suporte a orientacão a objetos, mais estabilidade e diversas outras melhorías. Na minha opinião Perl 4 e Perl 5 são duas linguagens totalmente distintas, e não tenho dúvida que a nova versão é muito superior.

12 anos mais tarde há gente que ainda utiliza sintaxe do Perl 3, o que cria problemas de compatibilidade e torna difícil a manutencão de código legado. O artigo é curto e cita poucos exemplos, mas vale a moral da história. Deixemos Perl 3 onde ele deve estar : na história das boas linguagens de programacão de sua época.

Não arrisquei colocar uma traducão automática pois não seria de muita ajuda.


 

30/8 de 2006

Computacão confiável (trusted computing)

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 1:45 am

O que é “trusted computing”? Por que a Microsoft, Sony, Apple e até mesmo a Nintendo tem tanto interesse nesse assunto? Abaixo explicarei porque há tanto interesse em consoles de video-games como Xbox e Playstation, e porque eles podem representar uma grande ameaca à nossa privacidade.

“Trusted computing”, ou “computacão confiável”, é o processo de executar um programa remotamente com a mesma confianca que você tería se o rodasse em sua máquina. Estritamente falando, é ter a certeza que o programa que é executado do outro lado do planeta é exatamente o programa que você criou no Brasil, por exemplo. Se o computador ou o programa forem alterados de alguma maneira, o código não é mais confiável.

Por que isso é importante? Trusted computing é assunto em todas as empresas de tecnología pois ela tem implicacões estratégicas muito além do que aparenta inicialmente. Aliás, creio que o nome é enganoso pois, como vou explicar abaixo, uma plataforma de “computacão confiável” é confiável apenas para o fabricante; e é 100% suspeita para o consumidor final.

Alguns críticos, como Richard Stallman, dizem que ter confianca total no código executado no computador alheio é possuir total controle sobre o computador alheio. E faz sentido – sem controlar 100% do que acontece no computador é impossível saber se alguém está roubando num jogo ou utilizando programas piratas.

A Microsoft, por exemplo, não possui controle total sobre o que é feito nos computadores que executam Windows pois o esse sistema não é uma plataforma confiável. Ou seja, ainda temos certa liberdade para modificar o sistema de algumas maneiras, de modo que o código produzido em Redmond pode não ser exatamente o que está em nossas máquinas. Quebra-se assim a plataforma de computacão confiável.

Por outro lado, se você tiver certeza que está rodando o mesmo programa em todos os lugares, sem vandalismo ou alteracões, é possível criar redes de jogos online, mercados virtuais e até mesmo mundos totalmente virtuais sem precisar de servidores de grande porte, ou enormes “data centers” de milhares de pequenos computadores como os do Google. Tudo isso só existe para manter a plataforma confiável de computacão, ou seja, não enviar código executável para o cliente.

O jogo EverQuest, da Sony, gerou um mercado virtual de bens e servicos totalmente inexistentes no mundo real. Terrenos e mercadorías que existem apenas no jogo são vendidos como se fossem bens reais, com dinheiro real. E a fraude corre solta. Imagine-se explicando à polícia que sua casa inexistente foi roubada, ou que você comprou um carro imaginário, você depositou o dinheiro, e ele não foi entregue…. (Tudo isso poderia ser formalizado na legislacão atual na forma de servicos e bens virtuais, mas não é o caso do EverQuest – lá o comércio é 100% informal e os bens são totalmente imaginários pois não possuem contratos ou acordos no mundo real.) E se alguém conseguisse alterar os dados do jogo e adquirir bens sem ter que gastar pontos do jogo, ou comprá-los no mercado paralelo informal? Essa realidade virtual só é possível pois a Sony, e seus clientes, possuem grande confianca no sistema de modo que os dados do mesmo estão supostamente seguros. Para isso é preciso ter certeza que o jogo que está sendo executado nos PC’s de milhares de jogadores mundialmente distribuídos é exatamente o mesmo programa que a Sony distribuiu. Isso é possível (até certo ponto) pois a Sony controla os servidores onde ficam gravados os dados vitais, patrimônio e demais informacões dos jodadores…até esse ponto a plataforma é de computacão confiável pois nenhuma parte desses dados é modificável fora do controle da Sony. Mas o jogo possui código executável no computador do cliente, e esse código não é protegido – e isso faz do EverQuest uma plataforma não muito segura para se investir dinheiro real em patrimônio virtual. E isso já está sendo provado : de acordo com o noticiário recente, as fraudes em torno desse tipo de jogos tem crescido de forma surpreendente. E isso sempre ocorrerá enquanto dinheiro e interesses reais forem combinados com plataformas inseguras.

Como vemos no exemplo do EverQuest, o pouco que existe de computacão confiável hoje é possível apenas pois os programas são executados centralmente nos servidores das empresas. O sistema de buscas do Google, por exemplo, é totalmente computado nos servidores Google. Nós não temos acesso ao código por trás do sistema de buscas Google. Mas, se o sistema de buscas rodasse em computadores pelo mundo afora, é possível que dados de vários desses computadores não sejam fiéis aos dados que o algoritmo Google produz no servidor central.

Todas as tentativas de se criar uma plataforma de computacão confiável até hoje deram errado. Todos os consoles de jogos foram devidamente alterados sem autorizacão dos fabricantes. Alguns foram transformados em ferramentas totalmente inusitadas, como demonstrado no site Hack a Day

O Xbox é considerado o esforco mais sério(e mais caro) nesse sentido. Mesmo com todos os recursos de seguranca que a Microsoft embutiu no console, ele foi devidamente desmontado, explorado, hackeado(no verdadeiros sentido de “hacker”), reprogramado, ganhou uma versão linux e até hoje a Microsoft paga caro por vender um PC subsidiado por U$ 199. A estratégia era vender os consoles com prejuízo(são basicamente PCs Pentium III com DVD e disco rídigo por pouco mais de U$ 100 hoje em día) e lucrar muito com os jogos. Isso assume que a plataforma Xbox é uma plataforma de computacão confiável na qual é impossível rodar outros sistemas que não sejam os jogos vendidos pelos parceiros da Microsoft. Isso, como a história provou, não saiu bem como eles planejaram.

O Xbox 360 é considerado, hoje, o sistema de computacão seguro mais popular do planeta. Até o presente momento ninguém quebrou o sistema de assinatura digital que garante a “autenticidade” do código que circula pela CPU do Xbox 360. Caso esse console se mantenha nessa situacão, será a primeira vez que um computador distribuído para anônimos terá executado código publicamente disponível sem a possibilidade de ser alterado. Um grupo de hackers, autodenominado “Pi” divulgou ao mundo, em Dezembro de 2005, que havíam rodado código não assinado na CPU do Xbox 360. Quando essa informacão foi verificada, descobriu-se que eles havíam executado um DVD formato 5(caseiro), sendo que a plataforma 360 utiliza DVD formato 9 para jogos e dados. Obviamente todos os DVD’s de sua casa são reprodutíveis no Xbox 360, mas o Xbox está executando os DVD’s de forma totalmente controlada, e a Microsoft (em teoría) detém total controle do que acontece em seu Xbox 360. Até hoje não é possível criar um DVD que “engane” o Xbox 360. Com isso fica impossível, também, a pirataría. A plataforma de computacão confiável é o sonho da indústria fonográfica e dos empresários de hollywood por esse exato motivo. À partir do momento que eles tem controle total de um computador que funciona em sua casa, torna-se impossível a pirataría, as cópias de filmes e audio, e por aí vai.

O Ipod, para citar outro produto popular, não é plataforma confiável na atual configuracão. Há dezenas de alteracões de hardware que podem ser feitas no Ipod de modo que ele execute código não autorizado pela Apple. O Ipod não impede a pirataría : é possivel ouvir músicas pelas quais não pagamos nele. A julgar pelas vendas da linha Ipod, a Apple pouco se importa com isso nos dias atuais. Mas a Apple sabe que esse sucesso não durará muito tempo, e já devem estar trabalhando para prender os donos de Ipods a determinados servicos Apple. E isso só sería possível se a Apple tivesse total controle sobre o que acontece dentro de cada Ipod.

Na minha opinião, a computacão confiável, caso ela se mostre tecnológicamente viável, é uma enorme invasão de nosso direito a saber o que entra e sai de nossa casa. Se o console Microsoft executar código totalmente protegido por criptografía forte e truques de hardware, dentro de nossa sala de estar, é possível admitir, por deducão lógica, que qualquer coisa pode estar acontecendo nesse sistema, já que seria impossível determinar o que se passa em sua CPU.

Até hoje o trabalho de hackers do mundo todo tornou essa utopía corporativa impossível. O Xbox tentou fechar suas brechas de seguranca em sua segunda versão, e esse sistema foi quebrado por um hacker britânico em apenas 3 días após o lancamento no Reino Unido no fim de 2001.

Uma plataforma de “computacão 100% confiável” é como um livro que compramos e no qual não podemos ler os dados da editora e data de impressão. É como um carro cujo capô não abre; é como um remédio sobre o qual nada sabemos mas que devemos usar mesmo assim. O nome “computacão confiável” engana, pois ela é confiável apenas para quem cria o hardware e o software. Nesse caso, para o consumidor ela é uma plataforma 100% suspeita.


 

28/8 de 2006

Problema do aniversário

Categoria: Cultura (Quase sempre)Inútil — jfonseca @ 12:40 am

Fato: em qualquer sala com 23 pessoas dentro, a probabilidade de alguém fazer aniversário junto com você é de 50%.

Esta curiosidade é conhecida pelos estatísticos como o “Paradoxo do Aniversário” ou “Problema do Aniversário”. Nós brasileiros que convivemos com o fenômeno da “fila no banco” podemos praticar bastante essa peça de cultura inútil. Imagine quantos aniversários comúns não existem naquela fila de 75 pessoas à sua frente. Segundo a Wikipedia, a probabilidade de haver um aniversário comúm num grupo de 100 pessoas é de quase 100%.

Como um ano tem 365 dias(ou 366 mas até onde eu sei ninguém é registrado dia 29 de Fevereiro) a intuição nos leva a crer que, com apenas 23 pessoas, 50% é uma probabilidade muito alta.

Mas, de fato, não é. O motivo não é complicado : pense quantos pares podem ser formados com 23 pessoas. São 253 pares! Ou seja, 253 combinações de pessoas que tem que ter nascido nos 365 dias do ano. Aí você enxerga que não é muito difícil que, entre 23 pessoas, a chance de haver um aniversário comúm é de 50%.


 

Energia para computar

Categoria: Cultura (Quase sempre)Inútil — jfonseca @ 12:28 am

Existe um ramo da computação que estuda a eficiência de nossos computadores em relação à energía gasta. A grosso modo sería como calcular quantos Reais em eletricidade custa abrir e fechar um documento Word, por exemplo.

Um computador 100% eficiente gastaría 100% da eletricidade “puxada” da tomada em computação, sem fazer ruído nem esquentar. Tal computador não existe.

Mas vamos supor que exista um computador teoricamente perfeito, que transforme toda a energía gasta em algo útil. Se mandássemos esse computador perfeito contar de 0 até 6,2771017353866807638357894232077e+57 (2 elevado a potência 192) sería necessária energía equivalente a 32 vezes a toda a energía que o sol emana em 1 ano.

Fonte: Applied Cryptography, Bruce Schneier

Com esse fato extremamente relevante para seu cotidiano estréia a seção de Cultura (quase sempre) Inútil, espero que goste!


 

25/8 de 2006

Windows Vista : 4000 programadores, 2 bilhões de dólares investidos, mais de 50 milhões de linhas de código

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 1:18 am

São números do artigo “Qual a Estrada Adiante para Microsoft e o Windows” de Michael Cusumano, na revista Communications of the ACM de Julho de 2006.

Segundo a reportagem a Microsoft tería abandonado sua estratégia ganhadora de manter equipes pequenas e ágeis, entrando pelo mesmo caminho de projetos falidos de outras empresas que um día a própria Microsoft derrotou.

O projeto Windows Vista chegou a um ponto de total estagnacão, e foi então que todo o código foi abandonado e recomecaram os trabalhos novamente à partir do código do Windows XP.

Um dado interessante é a progressão do tamanho da base de código do Windows : a versão 95 possuía 15 milhões de linhas de código, o Windows XP possui 35 milhões. Já o Windows Vista deve possuir acima de 50 milhões. O autor argumenta que talvez tenha chegado a hora do produto Windows ser dividido em diversos produtos menores, cada um com sua equipe especializada.

A Microsoft ganhou mercado rapidamente com seu Internet Explorer e o Media Player pois tinha uma vantagem considerável sobre os outros competidores: o fato de incluir seus produtos menores dentro do Windows. Essa tática já garantía uma fatía inicial de mercado muito acima dos concorrentes, foi assim que a Microsoft sufocou a Netscape, para citar apenas um exemplo.

A pior parte do processo anti-trust movido contra a Microsoft por diversos estados dos EUA foi vencida pela equipe de Bill Gates com o argumento legal de que o Internet Explorer fazía parte do sistema operacional e que, portanto, não podía ser removido. Bill Gates chegou a afirmar que “remover o Internet Explorer do Windows sería como obrigar a CocaCola a remover ingredientes de seu refrigerante”. Mas o feitico pode se virar contra o feiticeiro : a quantidade de produtos embutidos no Windows, e a complexidade do sistema criado com essa aglomeracão de código fonte, é justamente o calcanhar de Aquiles da Microsoft hoje.

No artigo, Cusumano comparou o projeto do Windows Vista à participacão dos EUA no Vietnam.


 

23/8 de 2006

Chefe de Tecnología da AOL pede demissão pelo escândalo dos registros de buscas vazados no início do mês

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 5:22 pm

De acordo com a Dr. Dobbs (traduzido aquí pelo Google), a AOL demitiu seu CTO por ter permitido o vazamento de dados de buscas efetuadas no portal AOL. Na época postei sobre o cybervoyeur.

Na verdade o sistema da AOL apenas revelou, acidentalmente, o quanto eles vigiam tudo o que é feito em seu sistema e como todas as buscas são ligadas à identidade de quem as faz. O sistema Google, Gmail e Orkut é 1000 vezes mais intrusivo conforme venho descrevendo aquí. Se os registros pessoais do Google vazarem, de forma semelhante aos da AOL, veremos o pior escândalo de invasão de privacidade da história.

Peço, desde já, desculpas pela tradução automatizada do Google, vejam só como ele traduziu isto: “O oficial principal Maureen da tecnologia de AOL governa renunciado em segunda-feira e outros dois empregados foram ateados fogo” – Na verdade em inglês, “to fire” significa “demitir”, mas o tradutor considerou literalmente como se tivessem ateado fogo aos funcionários…..


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