Antiga Tchecoslováquia, 25 de Janeiro de 1921 - numa peça de teatro de Karel Capek, a palavra “robô” é usada pela primeira vez na história. Significava “trabalho forçado” em Tcheco e foi usada na peça para descrever uma “pessoa automática”.
Hoje, 86 anos depois, alguns dos cientistas da computação mais respeitados do mundo já estudam meios de proteção contra o que chamam de “a inevitável supremacía das máquinas”. Com o atual ritmo de sofisticação e miniaturização, algumas revistas especializadas em computação já trazem artigos afirmando que é apenas questão de tempo para que computadores tenham poder de raciocínio e armazenamento semelhante ao de nossos cérebros.
Será um debate intenso, e vai causar muita polêmica no futuro próximo. Imagine as implicações disso para as diversas religiões! Máquinas sem sentimentos(e sem fé) circulando por aí nuas e completamente agnósticas, livres de crenças e religião? Ou elas desenvolverão o “espírito” e, uma vez que consigam aprender, também precisarão de fé? Robôs irão à missa por vontade própria? Máquinas que consigam aprender desenvolverão contradições e imperfeições como as que temos nós, humanos? Máquinas sentirão amor por outras máquinas ou por nós? Desenvolverão o que nós chamamos de “alma”? E se desenvolverem alma, fé e amor, ficará provado que não fomos criados por Deus? Ou as máquinas, sendo criação da criação de Deus, serão consideradas feitas por Deus também?
Uma máquina criada pelo homem tem o direito de conviver com seres criados “à imagem e semelhança de Deus”? Elas terão informação suficiente para montar máquinas semelhantes com peças vendidas no mercado, portanto elas se procriarão livremente? E pense no mercado de trabalho e nas diversas tarefas da nossa rotina que serão desempenhadas por autômatos! Tudo isso já foi mais que explorado em filmes, livros, e por aí vai…mas, e se tudo isso puder ser tornar realidade? Você já parou para pensar que tudo isso pode estar a apenas 2 ou 3 décadas de nós?
Mas, relaxe, por enquanto há alguns grandes obstáculos científicos para que os robôs dominem a terra! A ciência da computação ainda não resolveu alguns sérios problemas que impedem as máquinas de serem mais parecidas conosco. E, quem sabe, não hajam alguns problemas divinos também? Aproveitando o aniversário da criação da palavra “robô”, escrevo para vocês alguns pensamentos soltos sobre tudo isso.
Um desses problemas que ainda existem para as máquinas se misturarem a nós, é que nenhuma máquina jamais passou no “teste de Turing”, criado pelo pai da computação moderna - Alan Turing. Nesse teste uma máquina é colocada atrás de uma “cortina”(ou parede, outro quarto ou sala, etc), e diversas pessoas são convidadas aleatóriamente para “conversar” com essa máquina sem ver o que está do outro lado(alguém lembrou do Mágico de Oz?). Pode haver um “intérprete” que digita a conversa e responde com sua voz, o que importa é o conteúdo da resposta, não a “voz”. Se a maioría dessas pessoas não notarem algo estranho na conversa, essa máquina passaria no teste. Acontece que nenhuma máquina jamais passou nesse teste.
Outro empecilho bastante forte é que todas as máquinas automáticas devem ser construídas com as 3 leis da robótica de Isaac Asimov implementadas em firmware para que sejam incapazes de nos causar danos ou serem hierarquicamente superiores a nós. Isso, claro, terá que ser regulamentado por leis internacionais assim que o assunto se tornar relevante(o que deve acontecer só em 20 ou 30 anos). E, será inevitável, quando criminosos criarem robôs sem essas leis implementadas em seus cérebros(lembrou do temido ED-209 de Robocop?) - como vamos reagir? Criaremos Robocops do bem para combater as máquinas do mal?
O hardware atual também é incapaz de sequer se aproximar de um cérebro humano em termos de sofisticação e capacidade de armazenamento. Para simular a capacidade de aprendizado de uma criança com discos rígidos seríam necessários andares inteiros de discos SATA de 300 gigabytes funcionando dia e noite em capacidade máxima. Além disso, a tecnología de bancos de dados tería que ser tão sofisticada como a do cérebro. Para isso seríam precisos índices sofisticados para possibilitarem a busca eficiente de informações relevantes, coisas aprendidas talvez 20, 30 anos atrás.
A lógica binária dos computadores é adequada ao aprendizado automático? Isso também terá que ser testado. Ninguém sabe ao certo se a lógica binária executada suficientemente rápido pode imitar o processo lógico do cerebro humano. Aliás, nós não somos lá seres muito lógicos, já percebeu? Mas quem disse que as máquinas tem que ser como nós? E se a lógica binária for superior à nossa afinal de contas?
Como você pode ver são inúmeras as perguntas. E existem diversos outros problemas (a maioría eu provavelmente desconheço) e que precisariam ser explicados por um expert em inteligência artificial e robótica.
O fato é que o perigo da dominação pelas máquinas não é ficção, não é um perigo lá muito distante e é algo a ser levado a sério. Muita gente pensa nisso como brincadeira, mas é algo factível, tecnicamente parece possível e cuja discussão política e ética se encontra num futuro não muito distante de nós. Se os computadores quânticos se tornarem realidade em breve, ou se houver um salto enorme na tecnologia da computação, tudo isso pode estar logo aí nos próximos anos - depende apenas de capacidade de processamento, tecnologia de bancos de dados, inteligência artificial e por aí vai. Ou será que não? Será que somos mesmo divinos? Será que os computadores vão ajudar a provar cientificamente a existência de Deus?
Portanto fica aí registrado em nossa seção de “cultura quase inútil” : o que sabemos, de fato, é que há 86 anos, ingênuamente, um escritor de peças teatrais de um país que não existe mais criava a palavra “robô” para descrever um ser humano escravizado e que trabalhava forçadamente.