blog do Zé

 
 

30 de June, 2008

Professor de direito da FGV questiona bafômetro e constitucionalidade da “Lei Seca”

Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 2:24 pm

Encontrei um artigo de um professor da FGV que coloca tudo o que eu tentei dizer nos últimos posts(com toda minha ignorância jurídica) de uma forma clara e que será melhor compreendida.

Dá uma satisfação enorme ver que, apesar deu não ser advogado, acertei em diversos conceitos jurídicos que conheço apenas por ser um democrata e defensor das liberdades individuais.

Confira à seguir trechos mais marcantes do artigo do Prof. Jean Menezes de Aguiar, Professor de Direito Constitucional Econômico e Processo Civil da FGV (ver link ao fim do post).


“Mas o bafômetro erra, não é exato, não foi aferido pelo INMETRO, teve sua aplicação contestada por este órgão científico, oficial, obrigatório (!), desafia o princípio jurídico de que ninguém é obrigado a fazer prova contra si (o mesmo princípio que os juízes do Supremo impuseram para isentar supostos pais de submeterem-se ao DNA em ação de investigação de paternidade) e se não se assoprar no tal aparelho, no meio da rua, instado por qualquer funcionário de trânsito, assiste-se à surrealista prisão por desacato à autoridade. Teve um chefe de Polícia Rodoviária aí que normatizou a coisa: “quem não assoprar será preso por desacato à autoridade” (como se alguém fosse efetivamente condenado por este crime fantasmático, criado para fazer a felicidade da “otoridade”).”

Mesmo assim, as autoridades seguem olímpicas em seus comportamentos ignorantes: continuam a exigir o bafômetro, ainda que não aferidos os aparelhos, contestados cientificamente e apoiados em norma jurídica minimamente discutível. Será que o Cidadão tem que ficar sujeito a tantos desmandos ou burrices administrativas?

Presentemente, após a manifestação oficial do INMETRO, tudo que possa ser dito a respeito ao bafômetro cai por terra. É aparelho ilegítimo e cientificamente ilegal [inábil] para atingir um fim administrativo e de imposições legais a que se propõe. É método falho e, arbitrário.

Referência: artigo original do Prof. Jean Menezes

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Barack Hussein: “Partidários de Obama expressam apoio adotando seu segundo nome islâmico”

Filed under: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 2:40 am

RIO - Um grupo crescente de partidários de Barack Obama resolveu expressar apoio ao candidato democrata à Presidência dos EUA adotando, informalmente, o segundo nome do senador, Hussein, geralmente associado à religião muçulmana. Segundo reportagem de Jodi Kantor publicada no jornal O Globo desta segunda-feira, hispânicos, asiáticos, descendentes de italianos e judeus agora fazem parte da família, criando nomes insólitos como Jaime Hussein Alvarez e Sarah Hussein Frumkin.

Leia no Globo

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Perguntas e respostas sobre bafômetros

Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 1:49 am

Vejam só que interessante: nossa nova lei seca prevê punição para qualquer medida acima de 0,3mg/Litro de sangue…e quem determina o grau de embriaguez no Brasil? O bafômetro. Toda essa farra está sendo feita em torno dele e, adivinhem, o aparelho não é aceito em tribunais de diversas partes dos Estados Unidos devido à margem de erro.

O exame de sangue só é utilizado no Brasil quando o motorista se recusa a efetuar o teste de bafômetro.

Os seguintes dados foram obtidos da página do professor David J. Hanson, Ph.D, da Universidade de Nova Iorque em Potsdam. (Vide referências ao fim deste post.)

O bafômetro não mede, ele apenas ESTIMA a quantidade de Alcool no organismo
A lei é clara: o motorista só pode ser punido se tiver 0,3mg de alcool por litro de sangue. Isto é, alcool no sangue, não na respiração. O bafômetro não mede alcool no sangue.

Alcool não tem cheiro
O alcool, que é a substância ilegal em questão, não tem cheiro. Toda bebida alcólica tem cheiro, claro, e o alcool farmaceutico tem cheiro de cana. Mas o alcool etílico não cheira a absolutamente nada… Portanto o policial pode sentir cheiro do que quiser, menos do alcool.
E ninguém pode ser preso por ter cheiro de cana ou de cevada.

Alcool endogeno
O organismo produz alcool naturalmente 24 horas por dia. Em algumas pessoas é o suficiente para quebrar nossa lei de tolerância zero.

Substâncias confundidas com alcool
Bafômetros identificam moléculas semelhantes ao álcool. Acetona, que é produzida no corpo durante crise de hipoglicemia por exemplo, é detectada como alcool pelos bafômetros. Portanto diabéticos que se cuidem.

O comportamento do motorista o entrega?
Segundo o professor Hanson, num estudo da Universidade de Clemson, policiais foram filmados durante identificações de bêbados. Erraram “apenas” 46% das vezes.
Ou seja, acertaram mais ou menos a metade… No Brasil isso está sendo aceito na nova Lei.

Margem de erro do bafômetro é 50% da nossa lei de tolerância zero
No caso do “Estado do Havaí contra Boehmer”, 613 Página 2d 916, a Corte admitiu que o bafômetro tinha erro de .0165. Metade do que é preciso para você ser preso no Brasil.

A forma como o bafômetro é usado muda a leitura
Dependendo do agente, a forma como o bafômetro é utilizado modifica a leitura final. O início da respiração conterá menos alcool que o final. No caso de um agente mal intencionado, o suspeito pode ser pressionado a respirar várias vezes no aparelho podendo acusar uma margem maior que a real conforme explicado nos itens acima. Novamente, o exame de sangue é o único metodo aceito em todo o mundo civilizado.

Comer pão ou trabalhar com pintura e quimicos pode acusar no bafômetro
Um agente de polícia afirmou que testou positivo no bafômetro após comer muito pão, devido à fermentação digestiva. Outro caso comprovado foi o de um pintor que trabalhou com solvente e tinta óleo ter sido pego no bafômetro. O aparelho detecta diversas substâncias como sendo alcool.

O importante não é ignorar o bafômetro, mas sim tolerar uma margem de erro razoável.

Outros fatores que podem alterar a leitura do bafômetro:

  • Temperatura ambiente
  • Sangue
  • Vômito
  • Interferência elétromagnética
  • Fumo
  • Sujeira
  • Humidade relativa

    Temperatura do corpo altera medição
    Cada grau de temperatura que se eleva no corpo faz com que a leitura aparente no bafômetro pareça 8% maior.

    O artigo termina afirmando : apesar de haverem erros na leitura, se beber não dirija. Mas seu conselho só é válido nos EUA onde há margem de erro. Como no Brasil a margem de erro é zero e os bafômetros viraram autoridade, o artigo acima deve desqualificar a nova lei de tolerância zero.

    Por estes, e outros motivos, nos países civilizados há uma MARGEM DE ERRO, jamais tolerância zero com bafômetros. O bafômetro é uma referência apenas e não deveria condenar ninguém.

    Referências:

  • David J. Hanson, Ph.D e sua bibliografia sugerida
  • Orientação legal para condutores do Texas
  • Breath Analyzer Accuracy
  • New Breath Test Challenged
  • DUI Defendants and Blood Alcohol Tests
  • DUI Tests Must Now be Accurate
  • Alcohol Breath Testers: Incorrect Readings
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    29 de June, 2008

    Discutir a “Lei Seca” não significa defender bêbados ao volante!

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 10:34 pm

    Ao discutir os problemas que essa Lei Seca traz ao nosso sistema legal, as pessoas parecem entender que se está defendendo o motorista bêbado.

    Minha crítica é muito simples: Existe, sempre, a tentação de achar que o endurecimento e o totalitarismo resolvem problemas endêmicos como é o problema do álcool no Brasil. O problema da bebida no Brasil não é de hoje. É cultural, é histórico, e é algo que devemos admitir que nunca foi realmente mal visto pela sociedade. Lembram da propaganda da tartaruga na época da Copa de 2002? Todo mundo adorava. E as propagandas de álcool com mulheres, praia, vida boa e saúde? Ninguém reclama. O alcool em excesso é uma doença nacional e deve ser corrigida com medidas racionais, equilibradas. Aceitar a cultura da bebida e depois admitir uma lei dessas de Nazista é incoerência pura.

    Para mudar esse quadro vai ser preciso reeducação, programas de Governo para as gerações futuras e muita seriedade por parte dos governantes, coisa que não temos visto.

    O problema está em passar uma legislação às pressas, praticamente na surdina, que contraria nossa Constituição em, pelo menos, 2 pontos: presume a culpa até que se prove o contrário e obriga o cidadão a produzir provas contra sí próprio.

    Ao meu ver, a solução é : em toda blitz em que se pretenda efetuar prisões por bebida através de auferimento por bafômetro, deve estar presente um Juíz e um membro do Ministério Público. É caro? É. Mas democracia não é de graça, democracia custa caro e nos custou muita luta para conquistar, devemos preservá-la e questionar leis que prometem mentiras em troca de dar mais poder ao Executivo.

    Blitz já é algo anti-democrático, até o nome é Nazista(blitzkrieg). Deveria ser proibido colocar cones na rua e apontar armas pra todo mundo até que provem sua inocência.

    Nos Estados Unidos a prisão por dirigir sob influência de qualquer substância que altera a consciência(veja bem a diferença, qualquer substância, não só álcool) o infrator é levado para diante de um juiz imediatamente. A polícia faz sua parte, mas um Juiz é que diz se ele é criminoso ou não, e estabelece o que será feito com o suspeito.

    Por mais críticas que se façam aos Estados Unidos, lá tem menos violência que aqui. E lá um George Bush pode tentar muito, mas não consegue transformar o país numa ditadura. Aqui só estamos vendo atitudes totalitárias: censura ao Jornal da Tarde (e vimos censura ao Correio Braziliense na época Roriz), polícia com poderes enormes, blitz de trânsito, Exército fazendo policiamento interno e por aí vai.

    O Brasil está correndo um sério risco de voltar a ter uma ditadura. Por que? Porque estão tentando corrigir problemas históricos com totalitarismo. E o mais triste é ver que esse tipo de medida drástica tem apoio na sociedade. O problema não é hoje, é amanhã, é daquí a 10, 20 anos. Quem apóia blitz de trânsito apóia também ditadores. Pensa que está fazendo o bem, mas quando se dá conta as liberdades acabaram, só o Executivo passa a mandar, haverá censura, controle individual e totalitarismo. E todo mundo sabe, principalmente no Brasil, que ditadura não resolve nada.

    A liberdade se garante com o balanço entre os 3 Poderes, permitindo a livre expressão e o direito à defesa a todos perante a Justiça. Bandido não é quem bebe, bandido é quem comete crimes após beber. Esses o Estado não conseguiu impedir de causar catástrofes, por que é que devemos acreditar que agora conseguirão? Beber e dirigir já era crime.

    E quem disse que é só o alcool o problema no trânsito? Camioneiros dirigem 36, 48 horas sem parar e dormem ao volante. Riquinhos playboys nos bairros ricos consomem maconha, ecstase e cocaína e não tomam uma gota de alcool. Se o viciado disfarçar bem ele passa no bafômetro, e como bem sabemos não existe “fumômetro”. Pistas esburacadas são um crime contra nós, mas não existe tolerância zero com a displicência Estatal que mata tanto quanto bêbados nas estradas.

    E a tolerância zero com corruptos que também matam milhares de pessoas todos os anos com seus hospitais, dengue, fome e atraso??

    O debate crítico da Lei Seca não significa defender bêbados ao volante. Pelo contrário, tenho achado bom ver que algo está sendo feito contra a bebida em excesso. Mas a democracia no Brasil é frágil, não podemos ceder à tentação autoritária para resolver nossos problemas históricos.

    Vamos corrigir o problema do alcool com racionalidade, corrigindo os problemas históricos do Brasil com inteligência.

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    28 de June, 2008

    Especialista questiona constitucionalidade da lei seca

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 9:12 pm

    De acordo com a legislação, o motorista que se recusar a fazer exame de sangue ou teste do bafômetro, para verificar a concentração de álcool no sangue, será multado em R$ 955, terá a carteira de habilitação suspensa por um ano e incorrerá em infração gravíssima, com sete pontos na carteira.

    “Isso é absolutamente inconstitucional, você não pode fazer prova contra si próprio”, argumentou. Ao receber a representação, o conselho federal da OAB decide se ingressa com uma ação direta de inconstitucionalidade (adin) no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Leia matéria completa no G1

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    Lei seca: Advogado admite possibilidade de inconstitucionalidade.

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 9:09 pm

    3 - O que acontecerá se o motorista se recusar a fazer o exame do bafômetro e depois entrar com um processo na Justiça, alegando que não estava bêbado?
    Certamente é um ponto polêmico e irá suscitar ações junto ao Supremo Tribunal Federal. A nossa Constituição prevê que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Isso vai gerar muita discussão e muita polêmica.

    Confira no G1 perguntas e respostas sobre a lei seca com o advogado Antonio Carlos de Oliveira Freitas

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    Lei seca: Venda de bafômetros deverá ser recorde

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 9:04 pm

    Leia em matéria do G1 - Após ‘lei seca’, empresas prevêem aumento nas vendas de bafômetros

    A Instrutherm Instrumentos de Medição disse que vendeu mais de 400 unidades em junho - a média mensal é de 40. No entanto, segundo o diretor-geral da empresa, Evair Menezes Caetano, “ainda não é possível afirmar se o crescimento é em relação ao consumidor final”.

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    Lei seca: cidadão é culpado até que prove o contrário

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 8:46 pm

    Segundo o chefe da comunicação social da PRF, Alexandre Castilho:
    “Se o motorista se recusar a soprar o bafômetro a punição será a mesma pois é como se ele admitisse ter culpa.”

    Lei seca é totalitarismo, ss, nazista

    O silêncio virou admissão de culpa?

    Leia no JB Online.

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    Lei seca: “PRF quer elevar média de 20 flagras diários “

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 8:18 pm

    Não entendí direito a afirmação da PRF de que “deseja elevar a 20 flagras diários”…. Como assim? Eles querem mais gente bebendo ao volante?

    Leia no JB Online.

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    27 de June, 2008

    Brasil cria Gestapo do trânsito

    Filed under: Lei 11705 "Tolerância Zero" — jfonseca @ 12:23 pm

    O Detran, a polícia militar e rodoviária, formam uma nova classe social: a Gestapo do Brasil

    A nova Lei de Tolerância Zero com bebidas no trânsito cria uma nova classe social: a Gestapo do Trânsito. Antes que me critiquem: eu não defendo ninguém bêbado no trânsito, eu defendo é legislação inteligente e condizente com a situação do País e, pasme, que esteja de acordo com a Constituição Federal.

    Veja bem, pense com o mínimo de lógica:

    1) Se você se recusar a usar o bafômetro, a nova Lei prevê que a polícia pode julgar na hora se o suspeito parece bêbado, e prendê-lo da mesma forma. Afinal é zero alcool, então qualquer indício já é flagrante. Lembre-se dessa frase “qualquer indício é um flagrante”.

    2) Se a polícia sentir cheiro de álcool, você está preso(”indício”).

    3) Pra que o bafômetro então?

    4) Mesmo que você recuse a produzir provas contra sí, você já produziu, e cala a boca antes que eu te leve por desacato.

    5) O direito de ir e vir pode ser interrompido a qualquer instante. Basta que a polícia te ache com cara de quem bebeu biotônico fontoura.

    O sujeito molha a camiseta com cerveja mas não veste pra não correr risco de se alcoolizar nem um milionésimo de mg/L. As calças cheiram a cachaça, mas você espera secar sem vestir. O boné cheira a cerveja e pinga, mas você deixou secar. Bochechou com Listerine e saiu pra passear. Halt! Você é o mais novo criminoso no Brasil.

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