blog do Zé

28/1 de 2009

Você tem recebido chamadas do ++21 83750110?

Categoria: Blah, hmmm, etc — jfonseca @ 9:52 am

Alguns clientes da TIM vem recebendo chamadas do número ++21 8375-0110. Recentemente me mostraram como é a chamada: você atende e apenas ouve silêncio do outro lado. Alguns usuários dizem ouvir o eco da própria voz. No momento que atendí estava num ambiente barulhento, não percebí se havia eco ou não.

O fato já chamou a atenção de internautas, que colocaram a pergunta no Yahoo! Answers. Porém, até o momento deste post ninguém havia realmente explicado o fato.

No início da guerra do 3G recebia diariamente chamadas de telemarketing da TIM, Claro, e outras das quais já fui cliente, oferecendo um modem 3G e um plano de dados a preços muito atrativos. Até me interessei, mas na época não teria muita utilidade visto quase sempre há uma ADSL disponível onde vou.

Neste fórum o usuário ‘Dorival’ informa ter recebido chamadas desse número oferecendo produtos, “supostamente planos da TIM”. Há, nesse mesmo fórum, outra mensagem sobre esse número, desta vez do usuário ‘Gabriel Teixeira’. Nenhum dos dois usuários recebeu respostas… O que me trouxe a este post: você também já recebeu chamadas desse número?

O mais provável é que seja uma tele-robô, e que o silêncio seja apenas lentidão no início do programa da gravação ou da transferência ao operador.

Algo tipo:

  • O tele-robô inicia operação de “war dialing
  • Em caso de sucesso(“usuário, ou ‘vítima’, atendeu o telefone”) o sistema marca esse número como válido e busca o programa gravado. Ou, mais provávelmente, redireciona a um operador de tele-vendas
  • Enquanto o banco de dados de números é atualizado e o cliente é redirecionado a um operador, (ou a gravação é carregada), ouve-se apenas silêncio ou o eco do que é dito no telefone.

Isso é apenas especulação. Gostaria de saber se você também recebeu chamada desse número e o que exatamente ouviu do outro lado. Caso tenha recebido chamadas desse número, deixe aí nos comentários pois seria de grande ajuda a outros internautas.

Atualização 26/3/2009

Há 3 dias recebo insistentes tentativas desse número. Eis que hoje decidí atender e ver do que se tratava, fui levando a conversa numa boa até que solicitei mais detalhes sobre a oferta.

A operadora Geiza ofereceu um suposto plano LD41 – segundo ela Longa Distância 41. Achei suspeito, pedí mais informações e ela passou a informar tudo sobre o plano.

Logo ela informou que minha fatura tinha custado X e que eu economizaria Y comprando esse plano…daí em diante concluí que, ou eles pegaram todo o banco de dados da TIM inclusive com faturas deste mês, ou então era mesmo a TIM legítima.

A operadora percebeu que eu estava desconfiado e perguntou se eu queria verificar se ela era mesmo da TIM. Eu afirmei que sim. Então ela falou exatamente minha ficha toda, leu meus valores de faturas e confirmou tudo corretamente.

Que conclusão chegar? Bem, ou está tudo dominado, ou trata-se da TIM mesmo….ou pelo menos alguma empresa afiliada que tem acesso a todos os dados de clientes, incluindo faturas, datas de vencimento e valores corretos.

Estava prestes a entrar numa reunião, portanto solicitei um numero para retornar seu contato. Ela informou que não há número de retorno… Ou seja, 8375-0110 pode ser um “PABX celular de saída” sob o qual todos os números comerciais da TIM aparecem.

Alguns mi


 

O que é “war dialing”?

Categoria: Cultura (Quase sempre)Inútil,Segurança de Redes,Velharia — jfonseca @ 9:45 am

“War dialing” faz parte do jargão criado por hackers dos Estados Unidos na decada de 1970.

Para encontrar condutos para realizar explorações em BBS e outros sistemas os hackers buscavam linhas de telefone que estivessem conectadas a modems e que estivessem atendendo a chamadas de dados(aquele já quase esquecido barulho da conexão do modem).

Um programa, naturalmente chamado de “war dialer” gerava sequências válidas de números de telefones à partir de dados fornecidos pelo hacker. Por exemplo, em Brasília a região da Asa Norte tem diversos prefixos, entre eles o 3349 e o 3327.

Assim um explorador poderia especificar a seguinte sequência de números …

Dial 3327[0000-9999]

…para discar todos os 10.000 números telefônicos entre 3327-0000 até 3327-9999 e verificar se algum deles atenderia chamadas de dados.

Diversos parâmetros podem ser fornecidos como quantos toques esperar ou registrar apenas canais de dados com determinada velocidade(1200 baud por exemplo seria “chique” em 1981!).

War Dialing em 2009

Por incrível que pareça, o war dialing continua sendo praticado pelo mundo afora e serve para explorações muito interessantes. Por exemplo: diversas placas de administração emergencial remota de servidores atendem a chamadas via modem. Através delas é possível comandar completamente o hardware de servidor remoto. O motivo de estarem conectadas a modems é que em caso de falha completa da infraestrutura de rede, a rede telefônica ainda é a mais robusta do mundo. Assim, em caso de desastre, seria possível ligar via modem telefônico para seu CPD e comandar os servidores(teoricamente ligados a no-breaks ainda carregados).

Outra possibilidade seria de BBSs amadoras ainda existirem. Quem sabe você não encontra uma BBS através de war dialing? Nos dias da Internet você talvez se pergunte por que alguém teria uma BBS em funcionamento. Bem, por vários motivos. Entre eles, puro saudosismo e o baixíssimo preço das linhas telefônicas. Hoje em dia é possível manter uma linha telefônica para receber chamadas por menos de R$ 10 ao mês. BBSs atuais podem ter conteúdo específico como segurança de redes ou interesses de outros hobbyistas como rádio amador ou …pornografia!

War Driving

Na atualidade o termo “war dialing” tem sido adaptado às novas formas de conexão que temos à nossa disposição. A adaptação mais popular que tenho encontrado tem sido “war driving”. “Drive” vem do inglês “dirigir”. War driving é a busca por redes sem fio abertas usando um automóvel. Levando um iPhone ou notebook no banco do passageiro rodando o aplicativo de descoberta de redes(“war driver”??) é possível marcar a localização GPS das redes sem fio abertas e usá-las posteriormente para explorações online. Lembrando que é sempre bom usar senha em seu ponto de acesso wi-fi.


 

15/1 de 2009

A crise chegou ao Vale: Google começa a demitir

Categoria: Noticias de Tecnologia — jfonseca @ 9:05 am

Os boatos começaram a surgir faz algum tempo, em blogs e pequenos sites de tecnologia: a crise só teria chegado oficialmente ao Vale do Silício o dia em que o Google começasse a demitir.

Desde que surgiu, o Google não parou de contratar um só dia de sua existência. Em 2009 completam-se 10 anos que usei o Google pela primeira vez, lembro como se fosse ontem da experiência de não precisar usar expressões complicadas com aspas, + e – para achar o que precisava. O Google era realmente muito melhor que o Altavista.

Eles aprenderam bem a lição da Microsoft: um dos segredos para o sucesso é saber contratar. Bill Gates chegou a afirmar que o grande talento de Steve Ballmer era contratar as pessoas certas, hoje Ballmer é CEO da Microsoft – tal a importância de seu papel no progresso da empresa.

O Google fez a lição de casa e seguiu perfeitamente o exemplo da Microsoft, eles não contratavam qualquer um. Eram garotos-prodígio recém formados em universidades como Stanford, MIT e Caltech. Em alguns anos, o Google conseguiu montar o que é considerado o maior exército de PhD’s em matemática fora da NSA, a maior agência de espionagem tecnológica dos EUA.

Surgiram então matérias sobre a alta qualidade de vida no Google. Instalações maravilhosas, comida de primeira, horários flexíveis e jornadas curtas com direito a 20% do tempo para os funcionários investirem em projetos pessoais. Era o sonho de qualquer tecnólogo. Rapidamente a empresa se espalhou pelo mundo. Abriu escritórios ao redor do globo e, claro, no Brasil. Houve uma rápida migração de talentos para Belo Horizonte, onde fica o centro de pesquisa e desenvolvimento(R&D) do Google no País.

No entanto chega uma hora em que a empresa passa de uma novidade para um nome caseiro. O Google tornou-se commodity, todo mundo espera poder ligar o navegador e jogar uma busca qualquer no google.com e achar imediatamente o que precisa. Ninguém mais se impressiona com o tempo de busca(normalmente uma fração de segundo) ou com a qualidade dos resultados: todos esperam simplesmente usar o Google e que ele funcione toda vez.

O Google virou gente grande. E, como empresa adulta, saem de cena os matemáticos e entram os burocratas que sabem, como ninguém, passar a régua em papel verde e branco. Em época de crise garante-se, em primeiro lugar, o retorno aos acionistas. É assim que deve funcionar o capitalismo, mesmo numa empresa inovadora como o Google.

Chega ao fim aquela aurea surreal do emprego perfeito na melhor empresa do mundo para se trabalhar, e começa o árduo e doloroso período em quem funcionários se entreolham pensando “quem será que vai”…. Toda empresa passa por isso, mas sempre que surge uma empresa-fenômeno como a Microsoft, ou o Google, a tendência é pensar “esta é diferente” ou “aqui não isso não vai acontecer”.

Os boatos saíram da blogosfera e chegaram à grande imprensa: está no Wall Street Journal e no Los Angeles Times, Google demitiu 100 funcionários de recursos humanos e as contratações entrarão em “novo ritmo”.

É a confirmação oficial: a crise chegou ao Vale.