O criador do site WikiLeaks está sendo procurado em todo o mundo como um criminoso comum. Até agora não entendí o que ele fez de errado.
No Brasil o Judiciário tem aplicado a censura a jornais que recebessem informações sigilosas vazadas de processos que correm em segredo de justiça. O caso mais notável é a da censura imposta ao jornal O Estado de São Paulo, vedando a divulgação de quaisquer dados relativos ao processo do filho de José Sarney.
A pergunta que devemos fazer é: se a informação já vazou, por que então punir o meio de comunicação? Não deveriam punir apenas o agente público que obteve acesso a esses dados e traiu a confiança do Estado ao divulgar tal informação?
Por que o Estadão não vazou essas informações a outros meios de comunicação? O Judiciario teria coragem de punir toda a imprensa com censura? É justamente isso que o site WikiLeaks faz, recebe informações e repassa a todos, abertamente.
Ao punirem quem divulga a informação, estão subvertendo a ordem democrática. O próprio Ministro Carlos Ayres Britto, do STF, afirmou recentemente que o maior perigo à liberdade de imprensa vem do Judiciário.
Se não fosse o WikiLeaks, seria qualquer outro site. A informação está na rede, e foi “vazada” por um agente público. Realmente é difícil compreender a perseguição medieval sendo perpetrada contra o fundador de tal site. Realmente mostra que a liberdade de expressão é relativa e muito bem controlada.
A perseguição que está sendo feita contra Julian Assange desmoraliza os Estados Unidos, enfraquece a democracia e fortalece aqueles que defendem a censura e o controle da imprensa.
O Wagner Duarte da Izzy Chili Valvulados me enviou um email de alerta: chegou à sua oficina um amp com trilhas da placa de circuito impresso cortadas propositalmente. O proprietário do Laney LV300 Twin disse apenas que efetuou orçamento com um técnico. Informou que teria rejeitado o orçamento por não poder pagar o alto preço cobrado.
Resulta que o amp não tinha nada de errado, era apenas um fusível queimado. Ao ter o seu orçamento rejeitado, o técnico destruiu o amp do cliente, riscando as trilhas de cobre da placa de circuito impresso.
O cliente preferiu não identificar o técnico, o que é de certa forma frustrante pois levanta suspeita encima de muitos outros profissionais sérios.
Navegando as noticias Reddit esta manhã, encontrei esta colagem pra lá de interessante, comparando as assustadoras previsões de Aldous Huxley e aquelas de George Orwell.
| George Orwell – Livro: 1984 | Aldous Huxley – Livro: Admirável Mundo Novo |
| Previu a proibição de livros. | Previu que não haveriam motivos para proibir livros pois ninguém teria interesse em ler. |
| Previu o bloqueio do acesso à informação. | Previu que nos seria fornecida tanta informação que seriamos reduzidos a seres egocêntricos e passivos. |
| Previu que as verdades seriam escondidas de nós. | Previu que as verdades seriam abafadas pelo barulho e inundação de informações irrelevantes. |
| Previu que seriamos forçados a aceitar um tipo de cultura. | Previu que nos prenderiamos à futilidade, cultuando coisas irrelevantes.. |
| Previu que seriamos controlados através da dor | Previu que seriamos controlados através do prazer. |
| Previu que seriamos derrotados por aquilo que mais odiamos e tememos. | Previu que seriamos derrotados por aquilo que mais adoramos e distrações que desejamos ter. |
Não é assustador que a realidade tenha se saído mais parecida com as previsões de Aldous Huxley?
Não é curioso que, quando haviam menos opções de prazeres e distrações como a Internet e videogames, os jovens iam às ruas para protestar contra corruptos, ditaduras, injustiças e crimes contra a humanidade? Hoje a corrupção continua aí, as ditaduras seguem matando pelo mundo afora, as injustiças estão por toda parte e nações cometem crimes contra a humanidade, tudo isso com o mínimo de protesto possível.
Será que Huxley, e não Orwell, estava certo?