A análise do mercado financeiro é considerada uma arte. E, como toda arte, é praticamente impossível ensinar uma pessoa a “entender” o fator humano que move a bolsa de valores.
É fácil mostrar a um iniciante como funciona o mercado, quais são as regras de negócios e como interagem os diversos participantes(governo, corretoras, você, os fundos de investimento e por aí vai). Já ensinar a um investidor novato como fluem o humor e a intenção do Mr. Market, como Warren Buffett chamava a “parte viva” da bolsa de valores, é praticamente impossível. Só vivendo para entender.
Se o mercado é caótico, então ninguém pode ter certeza sobre a direção futura da bolsa de valores à partir de dados anteriores. Não há correlação matemática entre o mercado de ontem e aquele de hoje. Existe, sim, uma relação bastante próxima entre o fator humano de dias anteriores e o movimento do mercado nos dias seguintes. Aí é que, na minha opinião, se encontra o segredo de investir com sucesso no mercado. O investidor tem um “feeling”. Esse fator subjetivo é que irá motivar suas próximas investidas. Os números podem, ou não, fundamentar sua decisão.
Sabendo disso, concluimos que resta aos analistas ter a leitura correta do “humor” na bolsa: trata-se de saber ler as expressões, entender o medo, as ansiedades, ambições e outros sentimentos dos investidores.
Os analistas de gráficos competentes não procuram apenas relações matemáticas nos preços. Seria uma perda de tempo, exercício fútil. Procuram, sim, relações entre os preços sendo praticados e o sentimento humano no mercado. Usam-se expressões como “ressaca de investidor”, “tubarões vendendo/comprando”, “mar de sangue”, “nuvem escura no gráfico de ontem”, “martelo invertido” e por aí vai.
Saber a média do preço de uma ação nos últimos 15 dias não tem valor algum por sí. A média nos diz, sim, que o sentimento dos investidores permanece naquela região. Quando há uma fuga dessa média, significa que o sentimento mudou. Essa mudança de sentimento é que precisa ser compreendida, e não a reta que algum matemático traçou no gráfico afirmando para onde esse movimento nos levará. Se ele soubesse, não estaria vendendo o mapa da mina, estaria lá na mina quieto extraindo ouro.
Acontece que as coisas não são tão simples assim. Como veremos logo adiante, a própria previsão de um analista influente pode mudar o rumo do mercado. Por enquanto, voltemos à psicologia da bolsa.
Uma sequência de baixas pode gerar ansiedade no investidor. “Essa queda não terá fim!”. Quedas acentuadas, seguidas, podem gerar o “remorso do investidor”: “poxa, tal notícia não era tão grave assim, vou comprar dessa ação enquanto ela ainda cai”. Uma sequência de altas pode gerar a “ressaca de investidor”: “cara, a festa já acabou, e exageramos *um pouquinho* nessa compra, vamos vender!”
Segundo a teoria da reflexividade, de George Soros, os preços alteram o humor dos investidores. O humor dos investidores, por sua vez, se reflete de volta nos preços, gerando ciclos de altas extremas seguidas de bolhas estourando. Ciclos de “boom / bust”. Segundo Soros os mercados não se autoregulam. Pelo contrário, seguem em determinada direção até explodirem. Nesse instante basta que um investidor note que o chão ficou lá embaixo, e que o preço sendo pago é surreal. Aí vem tudo abaixo. Ninguém discute que George Soros seja um dos investidores mais bem sucedidos da história da especulação; ele entendeu como ninguém o fator humano do mercado.
O ser humano não para quando “já está bom”. Seguimos até o limite, e só enxergamos que exploramos todas as possibilidades possíveis de uma determinada experiência quando o próximo passo se torna inviável. A reação nuclear não para quando já gerou calor “suficiente”, ela só para quando esgota todo o combustível, e segue crescendo exponencialmente até consumi-lo todo.
O capitalismo não é um sistema onde a energia flui de forma linear. Tudo ocorre de forma exponencial. Por isso as altas são bruscas, e, por consequência, as quedas são terríveis. O mercado Brasileiro não irá se corrigir devagarzinho, de forma organizada. O mercado vem abaixo de forma violenta. Ninguém quer perder seus investimentos, todos tem medo de perder as poupanças. Os gestores de fundos, com bilhões no caixa, não podem causar prejuízos aos seus clientes, sob pena de sofrerem processos judiciais, chegando até a agressões morais e físicas. Os investidores individuais são os principais detentores do “dinheiro medroso”. “Prometeu à esposa que não perderia a poupança da familia na bolsa….”. O mercado não sofre correções ligeiras para prosseguir em alta, o mercado vem abaixo, dos mais de 70 mil pontos da Bovespa há poucos anos até os atuais 50 mil. Só nessa queda foram 30%….sabem quanto tempo o dinheiro precisa ficar na poupança para render 30%?
E aí, o que tem tudo isso a ver com o título deste post? É simples. Os principais jornais do país raramente acertam a relação entre causa e consequência no mercado financeiro. O jornalista sofre pressão para produzir conteúdo, sem que lhe sejam dadas as condições para fazer uma leitura correta do mercado. E, voltando ao assunto inicial deste post, não se ensina a alguém a fazer análises do mercado. O fator humano é complicado.
Então temos uma relação curiosa entre causa e consequência. A experiência de George Soros com a psicologia de mercado é a que mais precisamente descreve esse fenômeno.
Talvez a causa da alta ou baixa recente não tenha sido aquela que “O Globo” noticiou(tomando apenas esse jornal por exemplo, poderia ser o UOL, JB, Estadão ou qualquer outro). Mas, à partir do momento em que a manchete apareceu na capa de O Globo, o que era apenas opinião do jornalista tornou-se fato real no mercado. “O Globo falou que vai cair, vende minhas ações da empresa ACME agora!!!”. Ninguém sabe se vai cair ou não, mas o fato tornou-se concreto à partir do momento em que foi publicado em um grande jornal. Era certo? Estava errado? Não importa. Os contratos de compra e venda na Bolsa são irreversíveis.
Um enorme movimento começa porque uma informação surgiu no mercado, à partir de uma fonte popular. Essa informação transforma o mercado. O mercado, por sua vez, transforma a informação! “João, a ACME está despencando, vende logo!”. Ele não sabe que a queda inicial se deu em função de uma opinião, de um jornalista. Ele pensa que há algo de concreto ocorrendo. Porém, a venda do João faz o preço cair, e do outro lado do mundo ouve-se “Julia, o preço da ACME está caindo feio, algo vai acontecer. Vende nosso lote de ACME!”. A informação mudou o rumo do mercado, o rumo do mercado mudou o preço, que gerou novas ações. Ao vender seu lote, a Julia vai causar mais efeitos. Na terceira iteração desse processo ninguém lembra mais do jornalista que começou tudo, a coisa tomou vida própria e vai embora sem rumo.
Conta-se que nos tempos de loucura, antes da quebra de 1929, alguém no pátio da bolsa de Chicago gritou que via chuva ao norte da cidade. Alguém concluiu que isso era ruim para a laranja, porque haveria abundância e os preços cairiam. Começou um movimento absurdo em torno de contratos futuros dessa fruta. Uma safra inteira, que ainda nem existia, já havia movimentado somas astronômicas de dinheiro. Ao fim do dia ninguém havia sequer verificado se choveu ou não, muito menos o que isso teria a ver com as plantações a 1300 milhas, na Florida. Se é folclore ou realidade não sabemos, mas o exemplo ilustra bem o que estamos falando.
Essa transformação inicial, entre apenas alguns participantes do mercado, passa a gerar ansiedades, alegrias, tristezas, medo ou até mesmo o pânico generalizado. E aí? Como prever o próximo passo? É impossível. Pode vir uma avalanche, pode não vir nada. Está todo mundo vendendo, a corretora grande do João está se desfazendo de lotes enormes….o pregão congelou, é o fim!
A única coisa da qual tenho certeza é que as análises erradas da bolsa de valores no Brasil são muito frequentes. Houve dia em que a bolsa caia com força e sites populares ainda traziam a manchete “Analistas apostan na melhora da Bolsa nesta sessão”. Dependendo da velocidade do meio de comunicação, as contradições podem durar o dia todo. Em 2008, com o “mar de sangue” do estouro da crise dos EEUU, essas manchetes eram frequentes. “Bolsa vai subir”, e o grafico ao lado mostrava um acentuado declive vermelho.
Mas, como já vimos, a manchete inicialmente errada pode transformar o mercado e tornar-se verdadeira com algum tempo. Não importa se choveu em Chicago ou não, a variação dos preços já se tornou realidade, e a reação em cadeia pode, ou não, fugir ao nosso controle.
Eis meu blablabla aleatório de hoje. Acabo de ver uma manchete ridícula em um jornal de circulação nacional, como se o sujeito soubesse exatamente a causa da ressaca de hoje no mercado. E pensei comigo “essa manchete vai mudar a cabeça de muita gente amanhã”. Daí lembrei-me de Soros, Buffett e outros psicologos do mercado.
PS. O “II” no título se refere a outro post, de mesmo assunto, sobre o lucro mirabolante de nossos bancos.
As invenções de Steve Jobs(e Steven Wozniak) mudaram a forma como interagimos com as máquinas. Do mouse(de apenas um botão) integrado ao computador caseiro aos toques e gestos na tela dos iPhones e iPads, a Apple sempre foi referência na facilidade de uso de seus computadores.
Sem falar nos filmes da Pixar e os computadores NeXT, em um dos quais foi instalado o primeiro servidor da WWW.
Nunca fui um “fanboy” da Apple. Jamais faria uma fila para comprar um dos primeiros iPhones ou iPads. Mas é inegavel a contribuição histórica de Steve Jobs para o mundo da tecnologia. Se pensarmos que até dia 24 de Agosto Jobs ainda comandava a empresa, temos mais uma evidência de sua paixão pelo trabalho. Ocupou o posto de maior responsabilidade da Apple até seus últimos dias, mesmo lutando contra o câncer.
Há uma história da tecnologia antes e outra depois de Steve Jobs. Poucos que passaram por este mundo deixaram legado semelhante.
Atualização, 6/10: Imaginava que o Google faria algo em sua homenagem. O link sob a caixa de buscas leva à Apple.
A especialista em SEO, Miranda Miller, publicou um interessante artigo sobre a cartilha seguida pelo departamento de controle de qualidade do Google.
Basicamente, o funcionário segue uma cartilha para julgar a qualidade do site. Os quesitos são bem “elaborados”, não se trata apenas de julgar o visual e as primeiras impressões, mas a experiência de navegação como um todo.
Ao fim dos anos 1990 a força dos sistemas de buscas veio da automatização do processo de descoberta e seleção de conteúdo. Ao fim da primeira década de 2000, ao que tudo indica, estamos vendo um retorno à humanização da busca.
São, afinal de contas, pessoas como eu e você que vão decidir diversos quesitos de posicionamento de sites nos resultados.
Infelizmente, o documento original contendo as diretrizes para avaliação manual foi removido pelo Google, e sua reprodução é proibida. Porém, Miranda Miller fez um ótimo trabalho ao salvar trechos e comentá-los. O artigo está em Inglês, mas se você estiver envolvido com a WWW vale um estudo.
Quem diria, encordoamento para Cavaquinho “Made in USA”.
