Existem diversos motivos. O primeiro deles é o fato do ser humano perceber facilmente que há um predador à sua espreita. Somos a espécie animal mais adaptada à sobrevivência, e faz parte de nossa natureza enxergar uma ameaça. O Google já mostrou que veio para dominar a WWW, e isso não agrada a quem vive da WWW.
Segundo, que o Google busca mais e mais manter o visitante em suas páginas, ao invés de enviá-lo ao local onde obteve a informação.
Em um documento recente que vazou na WWW, o “Guia de Qualidade Google” que os seus revisores humanos utilizam para classificar os sites, o sistema de buscas cita explicitamente “sites de hotéis” como sendo alvo de punições. Se o site ganhar dinheiro com hotéis de qualquer maneira, será punido, independente se for útil ou não para o usuário. Não sou eu que faço essa afirmação, está escrito exatamente dessa forma no documento interno do Google:
Note: Major cosmopolitan cities are preferred targets for spammers, especially hotel affiliates. Such results should be flagged as Spam, even if they are related to the query and helpful to users. For example, a hotel affiliate page with a list of Chicago hotels may be assigned a rating Relevant, but also receive a Spam flag.
Traduzindo o trecho grifado: Resultados desse tipo devem ser marcados como spam, mesmo que sejam relacionados à busca e úteis aos usuários. (Não surpreende em nada que o Google tenha acabado de lançar seu sistema de busca de hotéis, não acham?)
Vamos analisar um resultado de buscas por hotéis(clique para aumentar). Para este exemplo, busquei por hotéis em Brasilia.
Minha resolução de tela atual é de 1680×1050. Em meu monitor, vejo mais de 50% da tela de anúncios. A parte beige acima dos resultados são anúncios pagos Adwords, e a coluna ao lado direito, em verde, idem. O sombreamento verde e vinho foram feitos por mim, o beige é original do Google.
Sobra, para o webmaster que criou o conteúdo que responde à pergunta do navegante, apenas metade do espaço. Frisando que a resposta não é fornecida pelo Google, e sim pelo webmaster que criou o conteúdo.
Nos outros 50% o Google preferiu listar 5 hotéis, escolhidos a seu critério. Brasilia tem centenas de hotéis, o Google listou 5. Se você rolar a tela para baixo, verá finalmente os sites que deram o conteúdo da resposta ao Google. Sem eles, o Google seria apenas anúncios… Esses sites estão “invisíveis” na minha resolução de tela, conforme o leitor pode ver capturada acima.
Este é apenas um exemplo dos motivos pelos quais o Google se tornou competidor dos webmasters, ao invés de um parceiro como antigamente. Muitos webmasters já haviam enxergado esse perigo, e ele finalmente se concretizou: hoje qualquer página que ganhe dinheiro na WWW está em competição direta com o Google. Uma competição injusta e completamente desproporcional, pois eles tem o poder de desaparecer com este blog, por exemplo, sem prestar qualquer esclarecimento sobre sua decisão.
Eu não conheço uma só pessoa que defenda quem dirige embriagado. Mesmo quem é contra a Lei Seca, sabe que bebida e direção não combinam, porque falta reflexo, porque tira a concentração, porque dá sono, por mil motivos.
Agora….essa nova lei seca, pior que a primeira, só pode ser brincadeira.
Da reportagem acima:
O projeto, aprovado nesta quarta no Senado, acaba com a obrigatoriedade do bafômetro para comprovar a embriaguez. A medida prevê que a prova pode ser obtida por meio de testemunhos, imagens e vídeo, além de exames clínicos e de sangue.
Se eu fizer careta na foto, vão dizer que estava bêbado? Vão me obrigar a fazer exame de sangue? Como? Vão levar outras pessoas embriagadas pegas na blitz como testemunhas, ou as testemunhas serão da própria policia?
O Brasileiro precisa se acostumar com o fato de que endurecer contra o crime não exige que sejam cometidas violações das liberdades individuais. Os países mais ordeiros do mundo são lugares onde o povo goza de total respeito a garantias constitucionais. Essa lei seca abre a caixa de pandora: se é permitido violar liberdades para combater um crime, então quais outros crimes não justificariam tais medidas?
A garantia Constitucional que inibe a produção de provas contra si mesmo não é uma medida para proteger bandidos. Ela é, entre outras, uma medida que visa inibir a tortura. Ou seja, a autoridade tem que produzir a prova contra o cidadão, ele não.
A lei seca exige que o cidadão produza provas contra si mesmo, por que? Porque ela é mal pensada, mal feita e parte de um pressuposto falso: de que através de repressão o crime diminui. O crime não diminui aplicando a pena de morte, o crime não diminui nas ditaduras, o crime não diminui violando-se os direitos humanos.
A lei seca está sendo fiscalizada através de blitz. Esse é outro erro. O cidadão tem seu direito de ir e vir violado, é parado por uma autoridade sem qualquer acusação, e depois tem que provar sua inocência, senão recebe uma punição. Isso tem cabimento em um estado democrático?
Está mais que provado que a criminalidade só diminui quando há um trabalho social sério realizado com os cidadãos desde sua infância. Dirigir bêbado deve ser “feio” desde a infância, deve ser algo cultural, ensinado desde cedo. Na escola deve ser ensinado que ver alguém dirigir bêbado deve ser criticado. As pessoas que assistirem a um bêbado entrar no carro para dirigir devem se sentir cúmplices do crime que o sujeito está prestes a cometer – dirigir com os sentidos alterados por qualquer substância, não só o alcool. É preciso haver engajamento social para combater crimes com esse.
Mesmo que implementassem a pena de morte para motoristas bêbados, a coisa iria piorar por outro lado. Aumentaria a violência, o narcotráfico seria beneficiado, o automóvel tornaria uma arma(já que a pena é severa, o bandido vai logo cometer “o crime direito”..), enfim, o combate à droga começa na educação, no trabalho social. Não adianta implementar “tolerância zero” com algo se não há trabalho de base, na escola, na infância.
A tolerância zero só funciona por curtos períodos, para resolver um problema emergencial, como o caos de Nova Iorque nos anos 1980 que exigiu a doutrina de tolerância zero. Não é o caso do Brasil. Precisamos de tolerância zero com políticos corruptos, isso sim!
Aguardem o espetáculo das blitz com câmeras e bafômetros. É a busca de maior arrecadação para a carga tributária já absurda. É o crescimento do estado encima do cidadão indefeso, uma lei autoritária que tem seu real propósito mascarado por uma causa sensata. Os acidentes no trânsito vão continuar. Essa seria a meta fim da lei seca, que já se mostrou ineficiente.
Os motoristas, especialmente em Brasilia, parecem malucos no trânsito. Se você mantiver distância segura do carro à frente, chega um sujeito e enfia o bico do carro alí, no espaço que você deixou para sua segurança. Se você para antes da faixa no sinal para não fechar um cruzamento, o carro de trás mete a mão na bozina. Se você dirige a 60 km/h na via de 60 km/h, vem um estupido atrás dando luz alta feito ataque epilético, como se o errado fosse você. Se você não enfiar metade do carro para fora de um retorno, não consegue entrar em uma via, é preciso ser estupido para conseguir uma passagem. Pode dar seta à vontade, o sujeito do lado vai continuar te fechando até você acelerar, jogar o carro encima dele e assim ele freia para você entrar.
Esse é o tipo de motorista formado pelo Estado, a maioria dos quais não deveria estar atrás do volante.
Abaixam o IPVA e o IPI para vender ainda mais carros, promovem um crescimento irresponsável do trânsito, e depois querem tolerância zero para resolver o problema que eles mesmos criaram. Não há transporte público decente, os engarrafamentos já chegam a kilômetros no centro de Brasilia, não se vê um só guarda de trânsito nos engarrafamentos….estamos largados, porém a tolerância zero será contra contra o cidadão, que já sofre com o trânsito caótico.
A lei seca abriu a caixa de pandora, jogou para cima do cidadão algo que é obviamente culpa histórica do governo. Pior, quem se recusa a produzir provas contra sí é automaticamente culpado. Característica de todas as ditaduras.
Nesse post mutante, vou colando exemplos de como o Estado Brasileiro vai assumindo papéis que deveriam ser exercidos pelo povo(ou por ninguém). Começo com a regulamentação do uso das aguas proposta após a tragédia do afogamento de um rapaz no Lago Paranoá(lago de Brasilia, que rodeia o Plano Piloto). (Comentários do blog em itálico.)
Começam a ser definidas as regras para o Lago Paranoá para 2012
As regras que estão sendo discutidas para normatizar o uso do Lago Paranoá devem sair do papel no começo do próximo ano. Só neste ano, 16 pessoas morreram naquelas águas. Como divulgado ontem pelo Correio, atualmente não existe legislação que especifique as normas para esportes, como stand up paddle (SUP).
“Não se preocupem que o Estado cuida de tudo. Aconteceu um acidente? Vamos restringir o uso do Lago!” As coisas no Brasil são “simples” assim. Houve um episódio bárbaro em Realengo, no Rio de Janeiro? Simples! Vamos proibir a existência das armas! Como se já não fosse proibitivo para qualquer cidadão comum ter uma arma de fogo, e mesmo assim o crime está cada dia mais armado.
Atualização, 21/11
Lei exige 3h30 semanais de produção brasileira na faixa nobre
O Estado Babá agora protegerá ainda mais os produtores de cinema nacional. Ou seja, salvo algumas notáveis exceções, todos sabemos que a produção nacional não é lá muito espetacular. Tenhamos autocrítica, tudo bem que todo Brasileiro queira ter cultura e queira ver nosso cinema lá encima. Mas, cá para nós, tem como comparar com a produção Americana e Européia? Prova disso é o fato do povo não exigir ver muita programação nacional na TV paga. Se fosse bom, todos pagariam para ver.
E agora o Estado obrigará a exibição desse conteúdo do mesmo jeito? Não faz sentido. A “desmeritocracia” só terá um resultado: filmes-porcaria e mais patrocinio do Ministério da Cultura a artistas sem talento. Incentivar a arte, sim! Mas usar dinheiro público para patrocinar a produção de conteúdo qualquer? Por que? Talento não se cria com dinheiro, o talento existe, e quando ele existe é prontamente apoiado pelo povo. Os discos vendem, bons filmes geram bilheteria. E artistas sem talento, devem ser apoiados com dinheiro público por que? São seus impostos, fugindo pelo ralo. A obrigação das TV’s a cabo de exibir conteúdo nacional é mais um exemplo do Estado-Babá em ação.
Sabem aquele filme, Brazil, de um dos caras geniais do Monty Python, que debocha da nossa burocracia? Pois é, muita gente não gosta desse filme porque acham que esculhamba demais o Brasil. É claro que os autores negam que se trate de nosso país, o nome é apenas uma coincidência, atribuido à música Aquarela do Brasil – trilha do filme. Eis que eu, como Brasileiro, não acho o filme tão sacana assim. Explico.
O pobre coitado do amigo Adamastor Perez dirigiu-se à Receita Federal, para solicitar um certo cadastro.
A Receita negou o cadastro, porque o nome constante da conta de luz, “documento” requisitado pelo orgão, não continha seu nome do meio, Linário, e assim não aquele pedaço de papel comprovava seu endereço residencial. O CPF, documento único de identificação junto à Receita Federal consta na parte superior da conta, bem como o endereço correto, com CEP. Mas aquele papel, entregue ao portador daquele CPF no endereço correto, não comprova seu endereço. OK, faz sentido.
Adamastor foi informado de que infelizmente devia dirigir-se à empresa fornecedora de luz, para atualizar seu cadastro e lá inserir o nome do meio na conta.
Foi-se ele, à pé, à central elétrica de Brasilia, CEB. Infelizmente, a CEB está de greve. Assim, foi instruido a ir a um posto “Na Hora”.
Na hora, é claro, não tem nada no Brasil, exceto McDonalds e multas de trânsito. Foram-se 2 ou 3 horas….mas conseguiu alterar seu nome nos bancos de dados do cerebro central do governo.
A alteração virá no futuro, em outra conta, caso o fechamento do mês ocorra após a atualização do banco de dados. Caso isso não aconteça, Adamastor pode vir a receber sua conta com o nome correto no ano de 2012, quando então poderá suplicar à Receita Federal que lhe preste o enorme serviço que solicitou de início.
Esta é a 7a vez que Adamastor tenta este processo na Receita. Ele tentará bater o recorde de pessoa mais sacaneada pelo Governo Brasileiro. Afinal, Adamastor é Brasileiro, e não desiste nunca.
Um dia, quem sabe, o Brasil poderá ter um Steve Jobs, mas terá que derrotar o governo para conseguir isso. São verdadeiros inimigos do empreendedorismo. Faz um concurso público, Adamastor, entre no jogo.
Atualização:
Abílio Diniz critica a criação de ministério para pequenas empresas
[...] mais importante do que a criação de um ministério é o desenvolvimento de iniciativas para reduzir os custos e a burocracia que envolvem a administração de pequenas empresas. “O governo não pode atrapalhar, ele precisa entender as necessidades dos empreendedores.”