Estamos entrando na segunda década do terceiro milênio. Telefones celulares da nova geração aqui mesmo no Brasil baixam filmes inteiros e navegam a 7 mbit/s, trazendo entertenimento portátil e conectividade que, há alguns anos, era apenas sonho. Uma conexão dessas de 7 mbit, da TIM por exemplo, custa menos de R$ 300 por mês.
Nos anos 1990 Bill Gates publicou o famoso “Information Superhighway”, no qual especulava que linhas ISDN de 256kb/s trariam uma experiência realista online, muito melhor que os modems de 28k da época. Estamos nos dias de telefones com links internet 28 vezes mais rápidos que a linha ideal do Bill Gates de 1995…e mesmo assim, quando há uma tragédia da proporção do Air Bus 447, recorremos a radares e buscas a olho nú para achar a localização do acidente. E os servidores centrais da Air France apenas teriam “24 mensagens” emergenciais, enviadas pela aeronave provavelmente já condenada?
Fica a pergunta: não deveria ser obrigatório que os mesmos dados que são gravados na “caixa preta” fossem também enviados a um servidor central? E uma localização GPS precisa não deveria ser enviada 1 vez por minuto, que fosse? Como é que ainda se baseiam em radares analógicos inventados há mais de 60 anos para localizar aviões?
“Um avião da Air France está desaparecido no Atlântico após sair do controle do Cindacta III”…na hora eu pensei, o que?!?! Como assim?! O avião não envia de volta sua localização em tempo real?
Já sobre a “caixa preta”: Quando fazemos backups de servidores, é pre-requisito que os dados sejam levados para fora do estabelecimento (backup “off site”) pois, em caso de incendio ou roubo, haveria uma cópia em outro local. No entanto, em aviões valendo centenas de milhões de dólares, que carregam centenas de vidas todos os dias, toda a informação vital fica na própria aeronave? O avião sofre um acidente e saímos por aí literalmente “pescando” a caixa preta no meio do mar e a companhia aérea só sabe nos informar que recebeu 24 mensagens eletrônicas do avião antes da queda?
Realmente é intrigante que depois de 7 dias do acidente com o Airbus 330 da Air France nós ainda estejamos especulando se um dia será achada a caixa preta… Até caminhões que transportam carga de supermercados hoje em dia são rastreados a cada instante e companhias como o Autotrac sabem exatamente sua localização, mas os aviões ainda dependem de radares de 1945 para serem monitorados?