blog do Zé

 
 

10 de September, 2008

Vídeos mostram urnas invioláveis…sendo violadas

Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 8:02 pm

Os seguintes vídeos foram produzidos pela unidade de Segurança na Computação da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. Há alguns dias o Ministro Ayres Britto do TSE afirmou categoricamente que as urnas brasileiras são invioláveis.

Caso clique 2 vezes num dos vídeos para visitar o Youtube, repare que nos vídeos relacionados tem dezenas de reportagens sobre vulnerabilidades de urnas eleitorais nos EUA.

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19 de August, 2008

O Globo: “Ayres Britto garante que ‘urnas são invioláveis’”

Filed under: Perl, Pleito eletronico, Segurança de Redes — jfonseca @ 6:25 pm

Em 2000 uma urna eletrônica na Flórida deu a Al Gore o total de 16022 votos NEGATIVOS.

Em reportagem do Globo de hoje, o Ministro Ayres Britto do TSE afirmou:
- É um blefe, uma bravata e um estelionato. O sistema é absolutamente inviolável. Disseram até que têm minha senha. Nem eu fiz ainda a minha assinatura digital. E de qualquer modo é impossível fraudar, entrar no programa ou desfigurá-lo. Fizemos um software que é inviolável e inacessível aos hackers. Se o programa é alterado, a urna se autodefende imediatamente - disse Britto.

Eu não ví a reportagem do JN citada, não sei o que exatamente a imprensa vem falando do assunto. Vamos analisar apenas o que disse o Ministro.

O sistema é absolutamente inviolável.
Citamos aqui, há algum tempo(veja links relacionados), que o TSE deve saber algo que a Nasa não sabe. Porque o orçamento da Nasa é quase equivalente ao PIB do Brasil e os softwares da Nasa vivem dando pane. A Nasa não faz mistério disso porque é uma Lei Científica, provada matematicamente, que não existe software perfeito.

A última pessoa que afirmou algo semelhante ao que disse o Ministro foi Larry Ellison, Presidente da Oracle. Em 2005, Ellison estava tão entusiasmado com a segurança do Oracle 9i que ele veio a público e fez o desafio-mór: afirmou que o Oracle “era inviolável”. Não durou nem 2 semanas, pesquisadores foram à Black Hat Conference e mostraram um festival de buracos no Oracle, para deleite de Bill Gates. Outro paralelo que podemos traçar é o fato da Oracle ter um orçamento bem maior que o TSE e milhares dos melhores programadores do mundo.

Fizemos um software que é inviolável e inacessível aos hackers.
Quando o Ministro fala em “hacker”, ao que se refere exatamente? A um cabeludo com seus 20epoucos anos, diante de uma tela preta com letras verdes, fumando cigarros Camel Light, ouvindo Dead Kennedys e tentando violar as urnas do quarto escuro de sua casa? Ou o Ministro fala de um vândalo institucional, corrupto, dentro do TSE, disposto pra entregar a urna e seus segredos em troca de uma pequena soma de dinheiro? Kevin Mitnick fez tudo o que quis com tecnologia e, segundo ele, a grande parte foi apenas usando engenharia social.

Quanto ao software ser inviolável e inacessível: Entendo que o Ministro tente tranquilizar as pessoas com esse tipo de superlativo, mas certas coisas podem se virar contra sua causa.

Urnas eletrônicas possuem um “pecado original”: ainda não foi inventado sistema eletrônico de votação que seja ao mesmo tempo seguro e anônimo. Ou é seguro, ou é anônimo. Ou você confia no TSE para não revelar seu voto, ou o TSE não sabe quem votou 2 vezes.

Se o programa é alterado, a urna se autodefende imediatamente - disse Britto.
A premissa apresentada pelo Ministro invalida a afirmação anterior. Se o “programa é alterado”, significa que houve violação do mesmo. Se houve violação, o software não é inviolável. Certo? Ou estou entendendo tudo errado?

Por fim, mesmo admitindo que a urna é vulnerável e que o software foi alterado, nesse caso o software não pode ser mais confiável pra completar a rotina de autodefesa. Como é que se pode confiar num software que foi alterado?

Se o TSE quiser melhorar o sistema basta obrigar a impressão dos votos. O ideal seria que a contagem dos votos demorasse mais um pouco, e que fosse feito através de um sistema mecânico um pouco mais tradicional.

Links relacionados:

  • O TSE é melhor que a NASA
  • O Teorema de Incompletude de Gödel prova que não existe software perfeito.
  • Seção sobre Pleito Eletrônico neste blog
  • JB: “Professor da UnB questiona segurança da urna eletrônica”
  • Bruce Schneier : Problemas vários tornam urnas eletrônicas imprecisas para eleições nos EUA
  • TODAS as urnas eletrônicas de um distrito de maioría negra param de funcionar
  • Oracle dragging heels on unfixed flaws, researcher says
  • Guru says Oracle’s 9i is indeed breakable

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    31 de January, 2007

    Senado não usará urna eletrônica na eleição interna

    Filed under: Blah, hmmm, etc, Pleito eletronico — jfonseca @ 8:39 pm

    Diferentemente da Câmara dos Deputados, o Senado não usará urna eletrônica na eleição interna amanhã.

    Vale lembrar que o atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, renunciou a seu mandato de Senador devido ao escândalo da violação do painel eletrônico que revelou os votos secretos durante votação da cassação de Luiz Estevão.

    Estevão era rival político de Arruda no Distrito Federal e ambos vieram do grupo político do atual Senador Joaquim Roriz. Se há relação, ou não, da escolha da cédula de papel com o “episódio Arruda/Estevão”, isso ninguém sabe.

    Deveríam extinguir logo o voto secreto para todos os fins no Poder Legislativo. O homem público não tem por que ter seu voto protegido pelo sigilo. Ainda mais os Parlamentares, que tem o direito de usar a tribuna para denunciar qualquer pressão e gozam de imunidade parlamentar justamente para isso. Já o cidadão comúm não tem essa prerrogativa, por isso é preciso garantir o voto secreto nas eleições gerais.

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    12 de November, 2006

    Urna eletrônica americana contabilizou ZERO votos para um candidato. Não tem impressão para recontagem. E agora?

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 8:31 pm

    Um oficial eleitoral perguntou ao candidato “nem o Sr. votou em sí próprio”, tem zero votos para você. O candidato Randy Wooten respondeu que votou sim. As urnas lá são parecidas com as daquí, não há recontagem possível pois elas não imprimem cópia dos votos. E agora?

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    8 de November, 2006

    TODAS as urnas eletrônicas de um distrito de maioría negra param de funcionar

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 11:34 pm

    Segundo o jornalista investigativo Greg Palast as eleicões de 2000 foram roubadas por George W. Bush. A acusacão de Palast assustou o Partido Republicano de Bush, causou furor na Flórida e oficiais do sistema eleitoral americano se recusaram a rebater as acusacões ou atender Greg Palast. Até onde se sabe Palast estava certo, e Bush jamais precisou se explicar pois o povo americano esqueceu das eleicões de 2000 após os ataques do 11 de Setembro. Greg Palast afirma que o irmão de George Bush, Jeb Bush, que por um acaso é governador da Flórida, tería incluído 30.000 eleitores Democratas(Al Gore) em uma lista de ex-presidiários e outros impedidos de votar no día da eleicão. Bush levou o colégio eleitoral da Flórida por cerca de 300 votos. Uma recontagem mostrou que Bush perdeu o Estado, mas até lá 5 votos da Suprema Corte já havía eleito Bush. Um adesivo circulou durante muito tempo nos carros dos EUA : dizía “não me culpem, votei com a maioría”.

    Lembrei-me do episódio acima pois nesta eleicão algo muito suspeito ocorreu em Cleveland, no estado americano de Ohio. TODAS as urnas eletrônicas de um distrito de maioría negra simplesmente não funcionaram…. Para quem não sabe a maioría dos negros nos EUA vota com os Democratas. Na verdade é um caso histórico, a direita americana ultra religiosa e extremista não aceita negros de forma alguma. O racismo nos EUA é violento até hoje, é comúm ver brigas e episódios tristes envolvendo racismo nos EUA. Portanto um distrito de maioría Democrata simplesmente ficou sem votar….

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    29 de October, 2006

    Margem de erro da urna eletrônica pode chegar a ser 25 vezes maior que a diferença do 2o turno no Paraná

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 8:37 pm

    Se o Bruce Schneier estiver certo ao afirmar que a margem de erro das urnas eletrônicas pode chegar a até 5%, podemos dizer que o resultado da eleição para os seguintes Estados devería requerer uma recontagem imediata dos votos(se eles fossem impressos, o que não acontece).

    Em ordem decrescente de gravidade, com até 1% de diferença, estão:

    Paraná: 0,2 % de diferença no 2o turno.

    Paraíba: apenas 0,33% forçaram um 2o turno.

    Distrito Federal: apenas 0,38% evitaram um 2o turno.

    Rio Grande do Norte: 0,43 % forçaram um 2o turno.

    Amazonas: 0,63 % evitaram um 2o turno.

    Não estou afirmando que houve necessáriamente erro, mas os números acima não enganam. O TSE precisa começar a imprimir os votos já na próxima eleição, pois em todos esses casos o resultado poderia ser outro completamente diferente se houvesse recontagem dos votos.

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    Recontagem com urna eletrônica sem impressão

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 7:36 pm

    Algúm visitante talvez tenha se perguntado: como funcionaria uma eventual recontagem de votos numa eleição com urna 100% eletrônica, onde não há impressão dos votos ou cédulas preenchidas à mão.

    A resposta é : não existe essa possibilidade. Se, por um acaso, uma “recontagem”, ou nova totalização, der diferente da primeira num sistema de bancos de dados qualquer, é sinal de uma falha gravíssima e esse banco não pode mais ser utilizado para qualquer aplicação, muito menos para decidir os governantes do País.

    Neste minuto a eleição no Paraná está praticamente empatada. Um voto, outro alí, fará a diferença. E não há possibilidade de recontar os votos….

    A NASA precisa contar com margens de erro nos seus equipamentos bilionários. Já o nosso bom e querido TSE não precisa. Afirmam categoricamente que não é preciso imprimir o voto. Querem que você acredite que a urna eletrônica é 100% infalível e precisa, e que portanto não é preciso recontar votos. Qualquer pessoa com discernimento sabe que não existe equipamento infalível, muito menos na área de informática.

    Como já tratamos aquí, voto eletrônico sem impressão do mesmo, é passível de TODOS os truques possíveis e imagináveis.

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    7 de October, 2006

    Já sabíamos : Matemático explica como vandalizar urnas eletrônicas Americanas, revelar voto secreto e mais

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 11:27 pm

    Fraude urna eletrônicaEnquanto as urnas eletrônicas, sejam americanas ou brasileiras, não imprimirem o voto e não forem abertas para todo o público (e não apenas peritos da Unicamp e analistas selecionados à dedo), não se deve confiar em voto eletrônico. Primeiro que é muito difícil fazê-lo realmente anônimo, como já expliquei o simples fato do título de eleitor ser digitado antes da votação já identifica o seu voto.

    Nesta reportagem da rede ABC americana, o matemático John Allen Paulos examina urnas Diebold e explica diversas falhas e possibilidades de abuso e fraude eleitoral. Os exemplos citados são interessantes : imagine que você vai votar e há, dentro da cabine, um senhor que lhe pede sua identidade e anota seu voto. Esse é exatamente o cenário quando você vai votar numa urna eletrônica, exceto que o “senhor” que anota e identifica seu voto está na forma de software, dentro da urna.

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    3 de October, 2006

    Apenas 3402 urnas confiáveis e seguras quebraram desta vez

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 2:55 am

    Não escreví muito sobre a eleição pois a maior parte do que tinha para falar sobre o pleito eletrônico já estava na categoría correspondente aquí no blog.

    A nossa urna tupiniquim que, segundo o TSE, é a melhor de todas (à frente de pangarés e amadores tecnológicos como o Japão e EUA), é segura, confiável e “a mais moderna do mundo”. Nossos resultados saem no mesmo dia, ao contrário de países atrasados como Inglaterra, França, Japão e EUA onde os votos demoram e o povo sofre com a contagem de cada um dos votos pois lá ninguém confia em meio eletrônico de votação que não imprime cópia do voto…

    Mas enfim, não adianta criticar. No país onde se viola o painel de votação eletrônica do Legislativo, todo mundo confia cegamente no sistema de votação eletrônica do Executivo. Aliás o Brasileiro é o povo que mais confia em todo mundo: mandamos nossas caixas pretas para serem analisadas pelos principais suspeitos da queda do avião(conforme nota abaixo), fornecemos todos nossos dados ao Orkut e formamos a maior comunidade sem privacidade do mundo, enfim, somos o povo mais alegre do mundo, disso não há dúvidas.

    Para completar, “apenas” 3402 urnas, dessas “mais modernas e seguras do mundo”, tiveram problemas desta vez. Nada sério, nem deve ser motivo para preocupação. Afinal, não é preciso contar EXATAMENTE um por um dos votos, basta ter uma idéia de quem deve governar e bola pra frente! E é sempre bom o mesário digitar e gritar alto seu título de eleitor pois é importante saber a que horas e em quem você votou.

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    19 de July, 2006

    A urna eletrônica exige que seja digitado nela o título de eleitor?

    Filed under: Pleito eletronico — jfonseca @ 6:32 pm

    No momento em que votamos, o mesário remove o canhoto do livro de eleitores daquela seção contendo nosso título de eleitor, de modo que a pessoa não possa votar 2 vezes. O eleitor, inclusive, leva para casa uma 2a via desse canhoto como prova de que votou.
    Então por que o mesário ainda digita seu título de eleitor na urna eletrônica, exatamente antes de autorizar nosso voto?

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