Eu tenho a nítida impressão que políticos passam 24 horas por dia pensando em uma maneira de destruir a liberdade na internet.
Não se vê um só projeto de mais abertura, de mais liberdade. Todos os projetos semelhantes pelo mundo afora parecem buscar mais fechamento, mais controle e mais rigidez. “Em nome da sua segurança”, é claro.
No Brasil, um grupo de Senadores tentou controlar a internet. O projeto não obteve sucesso porque a revolta foi geral. O projeto obrigaria todos a comprarem certificados digitais, a preços estimados entre R$ 40 e R$ 200. Imagine isso para cada cidadão… Ia chover dinheiro em algum lugar….
A notícia hoje é que o governador do estado de Nova Iorque pretende impor uma taxa de 4% para downloads efetuados através da rede.O governador que renunciou, Elliot Spitzer, era o mais famoso promotor de Wall Street. Ele caçava fraudadores da bolsa de valores como ninguém. Curiosamente, foi sob sua vigilância que Bob Maddoff conseguiu perpetrar a maior fraude financeira da história: uma pirâmide de Ponzi cujo volume é estimado, pelos promotores de NY, em mais de 50 bilhões de Dólares. Elliot Spitzer, o mais famoso caçador de meliantes de Wall Street pegou todos os malandros da Cidade, mas ele simplesmente não viu Maddoff saindo com U$ 50.000.000.000,00 pela porta da frente. Incrível, não?
A classe política não tem mesmo classe. O sucessor de Spitzer, David Paterson, pretende algo inédito. Ele quer taxar todos os downloads em 4% do valor nominal do download. Baixou um MP3 de U$ 1, deposite 4 cents na caixinha do governador. Comprou um livro digital de U$ 50? Deposite U$ 2 na caixinha do governador.
Assim, o Estado terá que saber, necessariamente, sobre todos os downloads ocorrendo em determinado instante. Eis que se instala, sorrateiramente, o controle da internet – através do Fisco.
“As Internets” sabem o que fazer, e estão fazendo sua parte.