O criador do site WikiLeaks está sendo procurado em todo o mundo como um criminoso comum. Até agora não entendí o que ele fez de errado.
No Brasil o Judiciário tem aplicado a censura a jornais que recebessem informações sigilosas vazadas de processos que correm em segredo de justiça. O caso mais notável é a da censura imposta ao jornal O Estado de São Paulo, vedando a divulgação de quaisquer dados relativos ao processo do filho de José Sarney.
A pergunta que devemos fazer é: se a informação já vazou, por que então punir o meio de comunicação? Não deveriam punir apenas o agente público que obteve acesso a esses dados e traiu a confiança do Estado ao divulgar tal informação?
Por que o Estadão não vazou essas informações a outros meios de comunicação? O Judiciario teria coragem de punir toda a imprensa com censura? É justamente isso que o site WikiLeaks faz, recebe informações e repassa a todos, abertamente.
Ao punirem quem divulga a informação, estão subvertendo a ordem democrática. O próprio Ministro Carlos Ayres Britto, do STF, afirmou recentemente que o maior perigo à liberdade de imprensa vem do Judiciário.
Se não fosse o WikiLeaks, seria qualquer outro site. A informação está na rede, e foi “vazada” por um agente público. Realmente é difícil compreender a perseguição medieval sendo perpetrada contra o fundador de tal site. Realmente mostra que a liberdade de expressão é relativa e muito bem controlada.
A perseguição que está sendo feita contra Julian Assange desmoraliza os Estados Unidos, enfraquece a democracia e fortalece aqueles que defendem a censura e o controle da imprensa.