ago 2006 28

Existe um ramo da computação que estuda a eficiência de nossos computadores em relação à energía gasta. A grosso modo sería como calcular quantos Reais em eletricidade custa abrir e fechar um documento Word, por exemplo.

Um computador 100% eficiente gastaría 100% da eletricidade “puxada” da tomada em computação, sem fazer ruído nem esquentar. Tal computador não existe.

Mas vamos supor que exista um computador teoricamente perfeito, que transforme toda a energía gasta em algo útil. Se mandássemos esse computador perfeito contar de 0 até 6,2771017353866807638357894232077e+57 (2 elevado a potência 192) sería necessária energía equivalente a 32 vezes a toda a energía que o sol emana em 1 ano.

Fonte: Applied Cryptography, Bruce Schneier

Com esse fato extremamente relevante para seu cotidiano estréia a seção de Cultura (quase sempre) Inútil, espero que goste!

ago 2006 25

São números do artigo “Qual a Estrada Adiante para Microsoft e o Windows” de Michael Cusumano, na revista Communications of the ACM de Julho de 2006.

Segundo a reportagem a Microsoft tería abandonado sua estratégia ganhadora de manter equipes pequenas e ágeis, entrando pelo mesmo caminho de projetos falidos de outras empresas que um día a própria Microsoft derrotou.

O projeto Windows Vista chegou a um ponto de total estagnacão, e foi então que todo o código foi abandonado e recomecaram os trabalhos novamente à partir do código do Windows XP.

Um dado interessante é a progressão do tamanho da base de código do Windows : a versão 95 possuía 15 milhões de linhas de código, o Windows XP possui 35 milhões. Já o Windows Vista deve possuir acima de 50 milhões. O autor argumenta que talvez tenha chegado a hora do produto Windows ser dividido em diversos produtos menores, cada um com sua equipe especializada.

A Microsoft ganhou mercado rapidamente com seu Internet Explorer e o Media Player pois tinha uma vantagem considerável sobre os outros competidores: o fato de incluir seus produtos menores dentro do Windows. Essa tática já garantía uma fatía inicial de mercado muito acima dos concorrentes, foi assim que a Microsoft sufocou a Netscape, para citar apenas um exemplo.

A pior parte do processo anti-trust movido contra a Microsoft por diversos estados dos EUA foi vencida pela equipe de Bill Gates com o argumento legal de que o Internet Explorer fazía parte do sistema operacional e que, portanto, não podía ser removido. Bill Gates chegou a afirmar que “remover o Internet Explorer do Windows sería como obrigar a CocaCola a remover ingredientes de seu refrigerante”. Mas o feitico pode se virar contra o feiticeiro : a quantidade de produtos embutidos no Windows, e a complexidade do sistema criado com essa aglomeracão de código fonte, é justamente o calcanhar de Aquiles da Microsoft hoje.

No artigo, Cusumano comparou o projeto do Windows Vista à participacão dos EUA no Vietnam.

ago 2006 23

De acordo com a Dr. Dobbs (traduzido aquí pelo Google), a AOL demitiu seu CTO por ter permitido o vazamento de dados de buscas efetuadas no portal AOL. Na época falamos sobre o episódio.

Na verdade, o sistema da AOL apenas revelou, acidentalmente, o quanto eles vigiam tudo o que é feito em seu sistema, e como todas as buscas são ligadas à identidade dos autores. Vale como alerta para usuários de outros sistemas de buscas como Yahoo! e Google.

ago 2006 23

site do PT hackeado em 2006O Noblat informou hoje cerca das 1:30 PM que vandalizaram o site do PT.

Site do PT hackeado / vandalisadoNeste momento às 16:00 hs de Brasília o site www.pt.org.br continua fora do ar apresentando a mensagem ao lado.

hackearam o site do PT em 2006
O Noblat, pra variar(“pra variar” de acordo com a imprensa nacional e internacional), utilizou a palavra “hackear” para descrever o vandalismo.

ago 2006 23

O Gmail merece uma categoría de artigos para sí : cada día que observo o funcionamento do sistema Gmail encontro mais e mais arapongagem nele.

Veja só: se você enviar um link para uma página qualquer para um amigo, digamos “Prezado João, veja a página da Disney no endereço http://www.disney.com/” – o Gmail grava esse endereço que foi enviado, o categoriza e efetua um registro de que esse endereço foi enviado por você, ou para você, via Gmail. Repare que o disney.com aí encima não é clicável, pois é parte deste texto simples ao qual não acrescentei um comando HTML para que fosse “linkado” para a Disney. Mas se eu enviasse este texto via Gmail, ele substituiría esse texto contendo www.disney.com por um redirecionador do Gmail no formato http://mail.google.com/mail/?view=page&name=js&ver=hashUnicoAqui

Vamos desmontar esse link e ver como ele funciona, e vamos tentar deduzir por que eles simplesmente não deixam você clicar no link e ir para onde devería ir.

http:// – O protocolo utilizado pelo sistema do Gmail que monitora seus links.

mail.google.com – O nome do servidor Google que vai monitorar quando você clica no link.

/mail/ – A pasta, ou “handler virtual”, que vai monitorar quando o link é clicado(e te redirecionar pro link original).

?view=page – Comando para o redirecionador, diz que é uma página que vai ser exibida e não outro formato.

&name=js – O monitorador do click é acionado via JavaScript(js). Olha só como o Gmail é esperto: sabendo que não é bonito vigiar o que os outros estão clicando e lendo, ele tenta esconder a existência do espião(senão por que não colocam o link direto pro javascript???). Quando clicamos no link e colocamos “copiar atalho” ele copia o link original sem menção ao Google(o link HREF tradicional do HTML). Mas se você clicar no link e pressionar rapidamente a tecla Esc para cancelar o redirecionamento do Gmail verá que o JavaScript intercepta o click antes do navegador te enviar para o HREF. Veja também que quando passamos o mouse por cima do link ele não mostra o interceptador do Gmail, mostra sim o endereço original para o qual você será direcionado. Esse interceptador te envia para o sistema de monitoramento do Google antes de te enviar para o link do destino.

&ver=hashUnicoAqui – É uma sequência alfanumérica que identifica para onde deve ser direcionado. Como o link original não está em qualquer parte desta URL, significa que o Gmail gravou em seu banco de dados quem você é, o link, quem enviou o link e que horas e quantas vezes você clicou no link. Esta “chave única” identifica o link e todas essas informações. O Google passa o número da chave única por uma rotina “digest” e gera este identificador estranho. Na verdade esta sequência de letras e números significa apenas : “puxe a ficha de número XXXXX, grave o horário do click e envie o usuário para local YYY”

Quando você clica no link, está na verdade clicando num redirecionador do Gmail que te envia para o site citado no link. Ou seja, o Gmail monitora quais links para quais páginas foram enviados e quando alguém clica neles.

Se o link fosse direto para a página citada, o Gmail não sabería se ele foi clicado ou não, ou a que horas foi clicado. Mas da forma como fizeram eles monitoram tudo, inclusive sites externos cujos endereços foram enviados através do Gmail.

Pra que isso, Google? Pra que vigiar tanto as pessoas que usam seu email “grátis”?