mar 2012 28

A marcha rumo ao controle da Internet ganha mais um capítulo….

RIO – A Câmara dos Deputados informou nesta quarta-feira que será instalada nesta tarde a comissão especial que vai analisar a proposta de criação do marco civil da internet – PL 2126/11, do Poder Executivo. O projeto estabelece os direitos e deveres dos usuários de internet e também dos provedores e define princípios para o uso da rede no Brasil.

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mar 2012 26

A National Geographic acaba de confirmar que o diretor de cinema James Cameron acaba de atingir o ponto mais baixo dos Oceanos. Cameron encontra-se neste momento a 10898 metros de profundidade.

O cineasta, que em 2007 publicou um intrigante documentário sobre a suposta Tumba de Jesus Cristo, percorrerá uma rota estudada por especialistas, e tentará atrair animais usando iscas especiais, de modo que possam ser estudados em filme. Também serão percorridos locais de interesse a geólogos.

O Monte Everest possui, em comparação, 8848 metros de altitude. A jornada até o ponto mais profundo da “Trincheira de Mariana” levou 2 horas e 36 minutos. Somente duas outras pessoas repetiram o feito.

mar 2012 23

Quando meros mortais levantam questões lógicas em relação às urnas eletrônicas, ninguém dá ouvidos. Finalmente professores e acadêmicos graduados estão chegando ao que já sabiamos há anos: Os votos na urna eletrônica são identificáveis.

É o “pecado original” da urna eletrônica: não podemos confiar que haverá um voto único por pessoa sem que haja algum tipo de identificação do eleitor. E havendo qualquer identificação, não há voto 100% anônimo. As duas condições não podem existir ao mesmo tempo: ou há alguma identificação do voto ou não há a garantia de um voto por eleitor. Se você estudou raciocínio lógico para concursos públicos, já deveria saber o que o TSE continua a parecer que não sabe!

Esse mesmo problema existe no voto escrito à moda antiga. A diferença é que para cruzar cada cédula escrita com o seu eleitor, demoraria anos. A informática faz isso em segundos! Ao migrarmos para urnas eletrônicas, devemos esquecer os conceitos antigos. Simplesmente entrar em uma cabine e votar às escuras não garante o anonimato da cédula eletrônica lá depositada!

No sistema do TSE, o anonimato era garantido pela própria urna: ou seja, a urna “sabia” quem estava votando, mas a forma com que supostamente armazenava o voto em seu disco tornava muito difícil identificar o eleitor(digo “muito dificil” para não usar o linguajar ingênuo do TSE: “impossível, inquebrável, feito de adamantium!”).

A matemática não falha: algo que não é 100% seguro, sendo usado para uma coisa tão importante quanto as eleições da 6a ou 7a economia do mundo, só poderia mesmo dar nisso.

A urna disse que ia guardar segredo, mas mentiu: agora todo mundo sabe que votei na Marina.

Lembremos sempre da Lady Murphy: tudo que tem probabilidade matemática de dar errado, dará. Ou não.

Pesquisadores da UnB apontam fragilidade na urna eletrônica

BRASÍLIA – Um grupo de quatro especialistas da Universidade de Brasília (UnB) encontrou uma lacuna na segurança das urnas eletrônicas, em teste promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os pesquisadores do Centro de Informática e do Departamento de Computação da UnB conseguiram decifrar códigos da urna e identificaram a ordem dos votos registrados no equipamento. Se o mesmo grupo tivesse em mãos os nomes dos eleitores que votaram na urna, em ordem cronológica, poderia indicar quem votou em que candidato.

Leia Mais do que já falamos das Urnas Eletrônicas

A urna eletrônica exige que seja digitado nela o título de eleitor?

O TSE é melhor que a NASA

mar 2012 22

Em 22 de Março de 1987, Richard Stallman contribuia ao mundo aquilo que viria a ser um programa de computador revolucionário: o compilador GCC. O GCC é hoje uma plataforma que acomoda uma verdadeira suíte de compiladores das mais diversas linguagens de programação. Porém, foi o GNU C Compiler que iniciou tudo. Hoje esta verdadeira pedra fundamental do movimento do software livre completa 25 anos.


Imagem: Wikipedia

Flashback
Na década de 1980, quem desejava programar um computador pessoal IBM PC devia comprar um compilador comercial. Haviam alguns poucos sistemas alternativos, como o Commodore 64, Tandy, Odyssey e outros, porém eram considerados mais “videogames” que computadores pessoais. Vale ressaltar que videogames são computadores, e o Commodore 64 possuia uma verdadeira legião de programadores e entusiastas. No entanto, quem compreendia a computação sabia que o futuro estava nos IBM PC’s.

Os computadores pessoais, 99% dos quais ainda não tinham chegado ao processador 80386, eram extremamente limitados. Era preciso programar contando bytes, poupando cada espaço de memória, tudo isso utilizando assemblers da Borland e Microsoft(TASM para o Turbo Assembler, da Borland, e MASM para o Microsoft Assembler). Posteriormente o ambiente Turbo Pascal da Borland aceleraria imensamente o mercado de desenvolvimento de programas comerciais no computador pessoal, incluindo um ambiente integrado onde poderia-se editar o programa, compilar e buscar problemas, tudo isso sem sair de uma “linda tela azul” desenhada em caracteres ANSI. O ambiente Borland utilizava o recurso gráfico das primeiras placas de vídeo VGA para possibilitar expandir a área de trabalho de 25 linhas por 80 colunas. Era um luxo!

Enquanto isso, ao sul de Seattle
Richard Stallman, hacker anarquista por princípio, acreditava já nesta época que o conhecimento deveria pertencer a quem fosse capaz, ou quem desejasse, absorvê-lo. O conhecimento deveria ser, portanto, livre.

No auge da Guerra Fria, o conceito foi imediatamente ligado ao comunismo por seus rivais ideológicos. Ora, software grátis?! Isso não tem lugar em uma economia de mercado! Stallman lutou como poucos contra o preconceito ideológico: teria sido, nos anos 1970, muito mais fácil simplesmente aderir ao software comercial. Tivesse optado por esse caminho, Stallman certamente seria hoje um dos homens mais ricos do mundo: ele estava no lugar certo e tinha conhecimento tecnológico de sobra para tornar-se um dos pioneiros da revolução do PC. Prova disso é o fato de que seu editor Emacs é, até hoje, mais avançado que o ambiente da Borland citado acima, um sucesso financeiro gigantesco à época.

Nada disso dissuadiu RMS de atingir sua meta. O software deve ser livre, não grátis, dizia ao vento. Durante os anos 1980 ninguém ouviu falar em Richard Stallman. O mundo pertencia à Microsoft, Intel e IBM!

Muro Ideológico
Em 1975 Bill Gates publicou uma carta aberta em uma conhecida revista de informática: era um protesto contra o “software pirata”. Entusiastas do software deveriam pagar a Micro-Soft pelo software que usavam, desta forma encorajando a empresa a produzir mais e melhores programas. Enquanto Gates vencia batalha após batalha no domínio do software para PC’s, Stallman trabalhava no seu editor Emacs, construindo aquilo que via como sendo o futuro da computação: um sistema operacional totalmente livre, escrito desde o princípio usando apenas software livre.

A Linguagem C
Uma tecnologia parecia unir todos os mundos, dos hackers, dos empreendedores e dos acadêmicos: a linguagem C. Criada por Brian Kernighan e Dennis Ritchie, a linguagem C permitia grande expressividade(linguagem de “alto nível”) sem perder contato com a máquina(“baixo nível”). O C tornou-se o idioma de-facto para desenvolvimento de sistemas, sobrepondo-se ao Fortran e BCPL como principal linguagem no meio tecnológico. Microsoft, IBM, Borland, hackers do MIT e da Arpanet, todos utilizavam a linguagem C.

No entanto, não existia um compilador de C facilmente acessível às massas. Compiladores C acompanhavam instalações UNIX, que custavam centenas de milhares de dólares cada.

A revolução do computador pessoal era apenas um sonho na mente de Bill Gates e Paul Allen, era impensável durante os anos 1970 que um dia um computador de mesa teria mais poder de processamento que todos os supercomputadores da época, somados! Não havia um compilador C para pequenos computadores. O compilador C da Microsoft era a galinha de ovos de ouro da empresa, o DOS, Windows e todos os futuros programas da gigante eram escritos em C. Stallman vinha, portanto, construindo a arma definitiva para que o software livre se tornasse independente dos laboratórios das universidades(onde tanto Bill Gates quanto Richard Stallman compilavam seus primeiros programas, por não poderem comprar seus próprios devido ao alto custo).

1991: Fim da Guerra Fria
O sistema operacional dos sonhos de Stallman jamais tornou-se uma realidade. O GNU Hurd vinha sendo desenvolvido por Stallman e amigos que compartilhavam sua visão quando, em 25 de Agosto de 1991, um jovem Linus Torvalds publicaria em um grupo USENET uma mensagem curiosa: “fiz um sistema operacional chamado Linux, quero que o testem e quem desejar me ajudar, o código-fonte é livre, está aí para todos brincarem. Ele roda GCC e o shell bash….“. Torvalds havia feito o que Stallman vinha tentando: um kernel UNIX totalmente livre que rodava seu compilador GCC….sua revolução teve o epicentro na Finlândia, 40 graus de temperatura abaixo da Califórnia….

Mikhail Gorbachev era sequestrado na Russia, a União Soviética e a Guerra Fria viviam seus últimos 4 meses. Filho de comunistas, vivendo às margens da URSS, Linus Torvalds estava escrevendo história sem saber.

Stallman tinha o compilador GCC pronto, bem como editores e utilitários para UNIX, fruto de seu esforço para realizar o GNU Hurd. E o Linux tinha um kernel UNIX rápido, estável e 100% funcional. A combinação era perfeita. O sonho de Richard Stallman tornou-se realidade por vias tortas: o Linux reinventou o mundo do software livre, e catalisou a revolução que Stallman havia planejado há mais de uma década.

Por este motivo, durante todo o desenvolvimento do software livre, muitos argumentavam que o nome do sistema operacional deveria ser sempre GNU Linux e não apenas Linux: creditando o pai e executor da idéia inicial. 99%, para não dizer todos os programas do Linux são compilados pela suíte GCC.

Bill Gates tornou-se o homem mais rico do mundo, e ninguém pode negar a importância da Microsoft no desenvolvimento do PC. Mas Richard Stallman, o anti-herói, mudou o mundo silenciosamente sem ganhar muito dinheiro ou fama(apesar de ser um lider cult com enorme influência). As duas maiores contribuições de RMS para o mundo da computação foram o compilador GCC e o editor Emacs(entre incontáveis outras).

Esse pequeno trecho de história, escrito às pressas, é a homenagem deste blog a essa parte da obra de Richard Stallman: o compilador GCC. Feliz 25o aniversário!

mar 2012 19

Em 19 de Julho de 2006 publicamos aqui no Blog do Zé:

O TSE anuncia um orçamento de 200 milhões de Reais para segurança eleitoral, valor que equivale a cerca de 90 milhões de dólares pelo câmbio atual. O orçamento requisitado pela NASA ao congresso dos EUA para 2007 é de U$ 1.61 bilhão e, mesmo assim, os computadores da NASA falham. Eles falham lá encima, no ceu, às vezes chocando o mundo, ao vivo pela TV.

E as urnas do TSE? “Elas não falham. São 100% seguras. Há fiscais observando. Há criptografia.”

Aos 2:58 minutos do video abaixo, o Deputado afirma “a NASA é expugnável, a urna eletrônica Brasileira não é”. Ficamos satisfeitos que nossa analogia construida em torno deste importante assunto tenha chegado a um dos plenários do Congresso Nacional. É importante que o povo Brasileiro tome conhecimento da vulnerabilidade de um sistema de voto que não possui trilha impressa para auditoria.

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