Criptomoedas

Bitcoin passa por momento crítico e pode ser dividida em 2 novas criptomoedas

Os slides apresentados ontem por Brian Armstrong (da Coinbase, grande empresa do ramo de criptomoedas) mostram que a divisão da comunidade em torno do tamanho dos blocos é mais profunda do que se imaginava e a solução realmente será bifurcar o desenvolvimento da moeda em dois.

O Bitcoin de blocos menores será o BitcoinCore, e o Bitcoin de blocos maiores será o BitcoinClassic. Como parte de sua argumentação, Armstrong afirma que Bitcoin não está se rompendo, mas estaria passando por um “upgrade”.

Em tese, o rompimento do Bitcoin seria temporário. Haveriam 2 blockchains convivendo em paralelo durante algum tempo. A tese de Brian Armstrong é de que em algum momento o maior número de garimpeiros irá pesar mais para uma das duas versões do Bitcoin e a outra morrerá naturalmente. O processo é então comparado a uma eleição criptográfica : o lado com maior hash power irá vencer o outro.

Claro, tudo isso é para tentar aumentar o tamanho dos blocos da blockchain, discussão que não convergiu para uma solução unânime.

Outro fator levantado é de que o Bitcoin deixou de ser aberto e democrático : um pequeno grupo controla o desenvolvimento do cliente oficial Bitcoin (“core”), e esse cliente é a referência para toda a criptomoeda. Como as decisões em torno do core são tomadas por algumas poucas pessoas, argumenta-se que não há participação da grande comunidade Bitcoin no processo. O debate em torno da mudança do tamanho dos blocos surge daí.

A tese de Armstrong de que “o maior hashing power vencerá” a eleição pode não se concretizar. Se houver um equilíbrio relativo entre as duas versões da Bitcoin, e a diferença ficar em alguns pontos percentuais, a tendência é perpetuar a existência das duas Bitcoin e não eliminar uma delas. Outro fator a ser considerado é que hashing power custa muito dinheiro. Quem investir em uma das versões do Bitcoin vai simplesmente jogar fora todo o garimpo para aderir ao outro lado? Essa é uma possibilidade remota. O mais provável é que essa moeda garimpada na “competição” entre as duas Bitcoins se torne mais uma altcoin, talvez com nome diferente ou, no pior cenário, uma espécie de Bitcoin 2.

Para quem sabe “ler o mercado” as projeções para a Bitcoin são as piores possíveis neste momento. Espera-se que a comunidade use o bom senso e não se aventure por caminhos que podem levar à destruição de uma tecnologia espetacular.

Confira a apresentação completa.

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